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Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas?

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas?

A frase celebre do livro Pequeno Príncipe é aqui transformada em questão. A tentativa é de refletir sobre ela a luz das relações nos dias atuais. A tecnologia alterou de forma profunda os vínculos sociais. As futuras gerações encararão maiores transformações. O certo é que a relação hoje se parece e muito com algo comercial, e se não gostamos do “produto” logo descartamos. O descarte ocorre cotidianamente. Pense: quantas pessoas adicionamos no Facebook; quantas ignoramos sumariamente pelos mais diversos motivos. Ao iniciar “amizade” no mundo virtual deparamos com o que foi projetado pela pessoa, fotos selecionadas, frases de livros que muitas vezes nunca foram lidos de fato são colocadas para descrever o perfil. É um jogo onde não há inocentes. A construção do personagem ocorre de ambos os lados. Nesse embate projetamos quem gostaríamos de ser e não quem realmente somos. O encantamento inicial é pela interpretação da imagem projetada pelo outro. Falta realidade na relação e sobra idealização. O personagem mascara aquilo que gostaríamos de esconder, as nossas perdas e dores. O fato é que todos se machucam – são traídos, enganados ou sofreram algum desapontamento -, mas cada um precisa resolver sua própria situação. Diante deste quadro, a frase do livro faz sentido? Podemos ser responsáveis por cativar em um jogo em que cada jogador esconde sua real face?

Medo, desejo, sentimento, confiança: a construção da relação.

Medo, desejo, sentimento, confiança: a construção da relação.

A relação humana é algo sublime. Temos diversas experiências durante toda a nossa vida. Há laços de amizade, afetividade, afinidade e amor que são criadas no dia a dia e podem surgir em qualquer ambiente. Temos a capacidade conversar e compartilhar opiniões até em filas. Seria como se o tédio de ter que esperar fosse compartilhado, e a breve conversa torna o momento menos sofrível ou mais prazeroso. As pessoas com quem nos relacionamos de forma duradoura acabam adentrando em nossa vida. Alguns entram, e nem percebemos como e quando isso ocorreu. Notamos a partir do nível de intimidade que é tão grande, mas o tempo de convívio ainda é pequeno. Se os envolvidos estão de acordo, não há nada de errado.

As relações são uma construção a quatro mãos em que a vontade de cada um deve ser colocada e respeitada. Hoje há outras formas de relação que pouco tempo atrás não se poderia imaginar, mas que, de certo de modo, mantém características da amizade. Acredito que elas compartilham de premissas que servem como estanque para sua longevidade e qualidade. A confiança, sinceridade, lealdade e o compromisso são elementos fundadores, porém podem variar seu grau de importância de acordo com cada envolvido.

O convívio humano não é como receita de bolo. Pode ser que os mesmos elementos do parágrafo anterior não façam o menor sentido para você, leitor. O fato é que eles estão presentes. Todavia, a construção da relação será o momento de ajustar o que é imprescindível, o que é supérfluo. O encantamento nela é que a construção nunca estará acabada e pode ser ajustada a cada momento. O ajuste, porém, pode significar o término. O fim é algo dolorido e que nos marca profundamente. A dinâmica de ajuste pode implicar cobrança e cada um reage a sua maneira a ela. Acredito que em um relacionamento há cobrança, mas ela não deve significar aprisionamento. A relação deve ser algo que traga prazer para os envolvidos e se um não está de acordo, certamente algo está errado. A conversa sincera é uma via de solução, porém deve-se superar o medo que há de magoar quem se gosta e expor sua opinião, vontade. Não expor seus sentimentos por medo acaba minando a relação. É como infiltração na casa que você não percebe, e quando nota já pode ser tarde demais.

Manter uma relação não é tarefa simples. Talvez deva ser porque ninguém seja fácil de lidar. Quando estamos incomodados, qualquer coisa nos irrita. Se há barulho o problema é o som e se não há o problema passa a ser silêncio. Assim, somos (eu me incluo) um bando de “chatos” tentando nos relacionar.

Sinceridade.

Sinceridade.

A palavra sinceridade tem o significado de qualidade, estado ou condição do que é sincero; franqueza, lisura de caráter. Ser sincero, atualmente, é ser dotado de uma qualidade que poucos têm. Dizer a verdade nem sempre é tarefa simples, chega a exigir grande esforço. Dentro de um diálogo é um exercício duplo em que o locutor deve dizer o que realmente pensa e o ouvinte que deve absorver as palavras proferidas. Ouvir elogios é prazeroso e afaga a alma, mas ouvir críticas e palavras duras pode machucar profundamente. Porém a vida não é feita só de momentos bonitos como em um conto de fadas de “viveram felizes para sempre”. A sinceridade em uma crítica corre uma linha tênue, pois ela pode passar de crítica construtiva para destrutiva, sendo na verdade uma grande “bronca” opressora, e ao invés de gerar momento de reflexão cria dor, nutre sentimentos que nos fazem mal. Penso que devemos sim ser sinceros, pois faltar com a verdade pode causar mais dor do que uma conversa indigesta. Deve haver um propósito e não fique só em uma crítica pela crítica.

Homem Não Chora Nem Por Dor Nem Por Amor.

Homem Não Chora
Nem Por Dor
Nem Por Amor.

Aquele que diz não chorar pode ser desprovido de sentimento ou está tentando negar, esconder o que realmente sente. O ato de chorar é representativo e poder simbolizar alegria, dor, sofrimento, saudade e diversos sentimentos que só podem ser identificados de acordo com o contexto. Nos sentimentos expostos ao derramar lágrimas, e quando vemos alguém chorar, logo nos vem à cabeça a pergunta: por que ele(a) está chorando? O que aconteceu? No fundo, acredito que sentimos vergonha de chorar em público, e por isso, optamos por fazê-lo em ambientes privados ou na presença de pessoas que realmente confiamos. Mas qual o problema em chorar na frente de outras pessoas? A ideia contemporânea e compartilhada por todos, sobretudo nas redes sociais, trás exacerbação da alegria, felicidade e efemeridade. Esse comportamento faz com que reprimimos sentimentos naturais, e com que sejamos vitimas de nós mesmos. Chorar não é ato de fraqueza, assim como não chorar não é representação de força. Mas é sinal de humanidade. Não somos máquinas sem sentimentos, trabalhando incessantemente sem sentir cansaço, dor e estresse. Temos limites e precisamos saber até onde podemos chegar e respeitar nós mesmos.

Importância

Importância

A nossa vida é entrelaçada com diversas outras. Relacionamos-nos com pessoas diariamente, e não notamos de fato a relevância que elas têm até que seu trabalho não seja desempenhado corretamente, e aí acaba nos afetando. Nós reproduzimos uma forma de pensar e encarar o mundo em que valorizamos alguns em detrimento de outros. Cada um tem seu valor, contudo de fato sabemos enxergar qual esse valor? Conseguimos respeitar? Se chegarmos atrasados no trabalho e foi por conta do motorista do ônibus que por algum motivo não conseguiu cumprir o itinerário a tempo, nós o culpamos e alguns chegam a reclamar no momento. Cobrá-lo porque está atrapalhando a nossa rotina de alguma maneira. Entretanto, nos demais dias que ele segue a risca e cumpre seu trabalho, lembramos-nos de agradecê-lo? Não é que seja necessário vangloria-lo, mas trata-lo com o devido respeito. Temos a tendência de pensar que seu trabalho é sem importância. Uma simples comparação. O que é mais importante para uma sociedade: lixeiro ou economista. Se os economistas desaparecessem a nossa rotina não iria mudar e continuaríamos trabalhando. E se o lixeiro não fosse mais trabalhar? Imagine a quantidade de lixo que iria acumular o mau cheiro e a situação ainda poderia ser agravada com as chuvas. No entanto, qual o profissional mais valorizado? A divisão social do trabalho em nossa sociedade permite que cada um tenha a sua função, mas não há o devido respeito e valorização. Alguns possuem valor maior ou prestigio que outro. Nós reproduzimos esse comportamento sem refletir.

Valores

Valores

A nossa trajetória é recheada de acontecimentos e significados que vão montando, formando os valores, moldando a nossa ética e a forma de agir. Os nossos pais tentam transmitir seus valores, junto deles, há valores morais da sociedade que estamos e daqueles companheiros que convivem conosco. Diariamente utilizamos valores próprios, os demonstramos quando nossas atitudes são assistidas e quando estamos isolados. Há uma natural preocupação com relação à opinião de terceiros. Quem nunca pensou antes de tomar uma decisão: O que vão pensar de mim? O que meus pais vão achar? Nessas situações usamos o nosso conjunto de valores, mas também ponderamos sobre o reflexo social da ação. Entretanto, essa inquietação pode ser ignorada – e deve ser-. Pois é quando não nos importamos com as opiniões ou reflexo de nossas atitudes que realmente demonstramos nosso valor, a nossa real forma de pensar, agir e aquilo que dentro de nós achamos certo.  A título de ilustração, uma simples situação capaz de exemplificar. Imagine-se passeando por uma praça cheia de famílias e crianças, todos brincam e também reparam sua a presença. Ninguém é estranho a ninguém. Você está comendo um lanche, mas ficou cheio e não quer mais. A sua intenção é livrar-se do lanche, contudo não há cesto de lixo próximo. Você jogaria o lanche no chão? Sua atitude seria imediatamente reprovada através dos olhares dos pais, poderia até ser interpelado por algum deles e ser cobrado pelo mau exemplo. Outra hipótese, para evitar tal situação: você levaria o lanche contigo até encontrar local apropriado, mesmo que isso lhe desagrade. Agora pense. O que teria pautado a sua decisão? Os valores próprios de não se importar em jogar um resto de comida no chão ou o receio de criar uma indisposição em ambiente público? O fato é que em diversas situações escondemos a nossa verdadeira forma de pensar e fazemos por conta de respeito, medo ou até mesmo a simples vontade de não gerar incomodo a nós mesmos. Mas qual o sentido de nos escondermos? A vida nos mostra que passamos por tantas situações que chega momento em que realmente mostramos o nosso real pensamento. Então não seria mais condizente e honesto com nós mesmo agirmos de acordo com a nossa forma de pensar desde o início?

Mãe, amiga, parceira, companheira: MULHER

Mãe, amiga, parceira, companheira: MULHER.

No dia 08 de março é comemorado o dia Internacional da Mulher. A data representa momento de reflexão impulsionado pelos canais de comunicação e ações de políticas públicas voltadas para igualdade de gênero. Atualmente a dedicação é para todo o mês de março, chamado publicamente, o Mês da Mulher. Mas de fato, se é necessário tal investimento em prol desse tema, é porque a nossa civilização ainda carrega traços de barbárie. Não conseguimos respeitar e dar valor as mulheres. Reproduzimos padrões de comportamento de uma sociedade carregada de traços históricos onde a mulher é menosprezada. Falta igualdade, infelizmente, e isso deveria entristecer, nós, homens. O respeito pela mulher e pelos demais gêneros, deveria ser algo natural, enraizado nos valores morais. Respeitar não é só comprar um presente no dia de hoje, e depois expressar tratamento misógino. Respeitar é entender as nuanças, compreender os dilemas dela, acima de tudo, e penso que mais importante, trata-las com igualdade. Vivemos no século XXI, moderno, da era informação, da sociedade de redes e do mundo globalizado, mas ainda não conseguimos dar o mesmo grau de importância a pessoa que está ao nosso lado, pessoa que nos de a vida, a primeira nos alimentar antes mesmo que conseguíssemos abrir os olhos ou dizer uma só palavra. As mulheres merecem respeito e igualdade, hoje e sempre.

Nem tudo que reluz é ouro!

Nem tudo que reluz é ouro!

O dito popular que da nome a essa pequena reflexão pode ser interpretado em vários contextos com a similaridade da ilusão. Pretendo aqui remeter à nossa ilusão por algo novo – trabalho, curso, amizade, livro, filme, serie, viagem etc. Ela pode ser como a paixão, nos encantará profundamente, depois irá esfriar e tornar aquela atividade enfadonha, desestimulante. Os sentimentos: paixão e amor podem ser usados para caracterizar a nossa relação com as atividades que desempenhamos. Já ocorreu com você iniciar algo e isto mostrar-se totalmente apaixonante, fazer você sentir saudade e depois de um tempo ocorrer uma guinada de 180 graus? Seria como se você conhecesse melhor, e a partir desse novo ponto de vista, a sua visão mudasse completamente. O que encantara passa a ser desencanto. Claro que há a possibilidade de ocorrer “o amor à primeira vista”, e deve-se sentir privilegiado quando ocorre, pois isso é raro. Somos atraídos pelo “brilho”, que muitas vezes, nós mesmos geramos baseados em nossa interpretação com pouco conhecimento de causa. A nossa análise é baseada na superfície, e nos encantamos com ela, mas quando conhecemos a fundo ou nos deparamos com um interior é que mudamos de opinião. Notamos que nem tudo que reluz é ouro. Só descobrimos isso tentando, observando e “quebrando a cara”. Não há fórmula mágica. Tal como no relacionamento, o que tende a durar é o sentimento que brota naturalmente e que quando notamos já estamos totalmente envolvidos, entorpecidos. Assim como no amor, temos a possibilidade de aprender com nossos erros, acertos e vivermos diversas experiências.

Eu acho, logo estou certo: o embate nas redes sociais.

Eu acho, logo estou certo: o embate nas redes sociais.

As redes sociais são realidade e parte do cotidiano da maioria da população. Nelas há espaço para compartilhamento de ideias, pensamentos, vídeos e o mais diverso tipo de conteúdo. Sua organização repete a dinâmica da sociedade e possibilita agregar membros em grupos, de acordo com seus interesses. Tal movimento é semelhante à organização da sociedade civil e de seus grupos. Essa semelhança pode e deve ser encarada como extensão entre grupos reais da sociedade civil e os grupos de redes sociais, pois, atualmente, suas ações começam a ser gestadas no ambiente virtual.

A relação entre esses grupos perpassa seus membros e alcança a esfera pública. A rede social permite exercer ativismo digital e usar o espaço virtual para a transformação do ambiente real. Ela também viabiliza um sistema democrático, participativo e de consulta à população. Ocorre que há diferença na velocidade da ação entre os ambientes. Na rede, em um simples clique, é possível assinar uma petição ou abaixo-assinado, mas o tempo para ocorrer a transformação real é muito maior.

Esse ambiente remete ao ideal. Uma simples visita a páginas que abordam temas políticos ou questões relativas à cidade demonstra que a realidade é totalmente diferente. Há defesa cega de candidatos ou ideologias por parte de internautas. Ocorre overdose de informação, fazendo com que o indivíduo se torne, progressivamente, menos capaz de efetuar julgamentos de valor adequados. A ampliação da repercussão de boatos e mentiras remete ao antigo “boca a boca”, agora em proporção exponencial devido ao alcance e à velocidade da disseminação da informação.

A democracia permite a liberdade de ideias e opiniões, mas é possível ver uma degradação atual do debate. Palavras duras são usadas e o reposicionamento é algo extremamente raro. Se o filósofo francês René Descartes dizia “Penso, logo existo”, no iluminismo, a internet inaugura o “Eu acho, logo estou certo”. Assim, o debate não parte de princípios ou informações corretas, mas da opinião individual daqueles que não querem pensar, que querem somente atropelar os que divergem da sua forma de pensar, de encarar o mundo ou de seu candidato. O espaço que poderia ser mais uma via de possibilidade da cidadania e da interlocução é pervertido pelo ódio e pela intolerância dos usuários, não cumpre plenamente seu papel como interlocutor com a esfera pública e serve como “muro de lamentação” para muitos.

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