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Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

Refém do pensamento

Refém do pensamento

O nosso pensamento molda a forma como interpretamos a realidade. Durante nossa trajetória, nos deparamos com teorias libertárias, conservadoras, de direita, esquerda, concepções que fazem questionar a nossa própria realidade. Como nos romances, algumas ideias seduzem e fazem acreditar piamente que o mundo que ela apresenta é a nossa utopia a ser alcançada. Deixamos ser levados por ideias antagônicas e exercermos ecletismo, pois do ponto de vista teórico, representa uma incompatibilidade. Formamos uma colcha de retalho com ideias pré-concebidas para que ela se encaixe nos nossos interesses. Chega o momento que amadurecemos e escolhemos ideias para seguir. Assim renunciamos as demais opções. É como o desejo pela liberdade que a vida de solteiro demonstra. O fato de não ter um(a) companheiro(a) que nos “amarre”, limite nossos desejos ou que nos prive da liberdade, faz com que reneguemos oportunidades que um relacionamento pode proporcionar. Impede a construção de uma relação em que cada sujeito seja respeitado, incluindo sua noção de liberdade. A vontade de sentir a liberdade acaba camuflando o medo ou outros sentimentos. O fato é que não há possibilidade de viver tudo plenamente e ao mesmo tempo. Saber o que queremos pode ser tarefa extremamente difícil, porém é necessário coragem para que possamos nos libertar de nossos pensamentos que podem agir como prisões. Nesse contexto, somos prisioneiros de nós mesmos em uma cela que de inicio representou a liberdade.

Você NÃO vai conhecer o homem dos seus sonhos.

Você NÃO vai conhecer o homem dos seus sonhos.

O título do texto é uma referência ao filme de Woody Allen Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010). Aqui não haverá uma sinopse ou análise do filme, mas uma reflexão sobre a idealização que fazemos sobre os parceiros que desejamos ter. A vida, duramente, nos ensina que entre o nosso desejo e a realidade há enorme diferença. Traçamos planos de como será o relacionamento almejado, o que iremos fazer com nosso parceiro e como será cada detalhe. Somos capazes de montar uma lista de requisitos e temos a esperança de encontrar a pessoa que atenda todos nossos anseios. Porém isso não ocorre de forma plena. É prazeroso o ato de sonhar com parceiro ideal e ingênuo também. Nesse processo imaginativo seria como olhar a Lua. Nós só conseguimos ver a parte iluminada pelo sol, mas não conseguimos ver a outra parte, aquela que está obscura. Na montagem do nosso personagem/parceiro a parte iluminada são as qualidades elencadas, mas optamos por não pensar nos defeitos. A utopia pessoal não abre espaço para imperfeições. Mas imaginemos viver ao lado de uma pessoa “perfeita”. Será que essa perfeição não irá incomodar? Um casal necessita viver por todos os momentos: bons, ruins, crises e etc. Cada momento pode representar uma mudança de paradigma e permite que um conheça melhor o outro. Como diria minha bisavó: Se você quer conhecer alguém como dois quilos de sal com ela. Os cardiologistas de plantão podem ficar tranquilos, pois é apenas uma metáfora que remete ao tempo necessário de convivência para maior conhecimento. Mesmo havendo todo esse tempo, há pessoas que conseguem nos surpreender com suas atitudes.  Assim, a nossa construção do personagem que irá entrar em nossa vida e compartilha-la é válida, mas não pode ser a nossa única ferramenta de seleção.

Fio vermelho do destino_ crueldade

Fio vermelho do destino_ crueldade.

Akai Ito ou fio vermelho do destino é uma lenda de origem chinesa e, de acordo com este mito, os deuses amarram uma corda vermelha invisível, no momento do nascimento, nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser alma gêmea. Deste modo, aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar essas duas pessoas que estiverem interligadas fatalmente irão se encontrar!

A lenda acima poderia ser pretexto introdutório para uma divagação sobre relacionamentos, mas o assunto é outro: crueldade. O tema difere da lenda que versa sobre almas gemas, e a utilizo para aproveitar a linha que nos une a diversas outras pessoas que sofrem consequências diretas e indiretas de nossos atos. Desde que nascemos temos ligações com nossos pais, familiares e posteriormente as amizades que cultivamos. Criamos nossas utopias sobre o futuro, porém ocorrem circunstâncias que alteram nossos caminhos, nossa forma de enxergar o mundo e nossos sentimentos. Tornamos-nos pessoas diferentes, secas, duras, insensíveis e egoístas. A falta de sensibilidade e empatia causa a não percepção do reflexo das atitudes que tomamos. A crueldade pode estar nos atos que cometemos, no resultado deles e ela não se restringe a classe social. O filho do empresário pode ser tão ou mais cruel que homem que viveu em situação extrema e escolheu caminho do crime, foi obrigado a não ter escrúpulos para sobreviver e chega ao ponto de falsificar a morte da mãe para conseguir dinheiro. Já o individuo procedente de situação oposta pode não ter a mínima noção e assaltar a empresa da família, prejudicar os negócios e ainda prejudicar todos aquelas outras famílias que estão interligadas. No limite, não há como classificar qual é mais ou menos grave. Os atos são cruéis e torpes. Esses não são únicos casos de crueldade. Há diversos outros casos que vivenciamos e não notamos. Há atos que presenciamos, mas preferimos não intervir e nesses casos a violência é dupla, pois somos cruéis na nossa opção passiva de simplesmente ignorar e seguir com nossa vida.

O inferno são os outros.

O inferno são os outros.

Vivemos em convívio social desde o nosso nascimento, afinal, temos uma origem e os primeiros a conviver conosco são os nossos pais. Crescemos e aprendemos a expressar nossas vontades primeiro com atitudes simples até chegarmos as palavras e frases. A convivência irá nos acompanhar por toda a nossa vida. Não há vida isolada e por mais que ocorra a tentativa de isolamento, chega momento em que a interação social irá ocorrer. Na vida em sociedade regras foram estabelecidas para haver convivência pacifica, mas isso de fato não ocorre. O processo de aceitar opiniões contrárias demonstra a nossa dificuldade em aceitar aquilo que nos é diferente. É fácil aceitar opiniões que são semelhantes e criticar aquelas que diferem da nossa forma de pensar. Acontece que a presença daquele que difere incomoda. Nos é difícil aceitar a opinião, e nesse ponto demonstramos nossa barbárie, pois aceitar as diferenças é sinal de civilidade. A vida em sociedade impõe negociação permanente. Nesse contexto, a frase que da título ao texto demonstra que colocamos a culpa no outro. Mas qual o nosso grau de responsabilidade? Fazendo exercício de lógica: se o inferno são os outros logo somos o inferno de alguém. De fato negamos a compreensão do pensamento do outro ou simplesmente nos julgamos superiores a ponto de não respeitá-lo. A escolha é individual e da mesma maneira que julgamos também seremos julgados. Não cabe aqui fazer discurso piegas sobre respeito a opiniões contrárias. A intenção de fato é rever o posicionamento individual. Há pessoas que nos incomodam, e que a simples presença torna o ambiente desagradável, mas ela sabe como você se sente? Situação análoga não ocorre com você? Será que você torna o ambiente de alguém intragável?

Incertezas ou angústias?

Incertezas ou angústias?

O futuro é incerto, pois não temos o domínio sobre o tempo para poder saber o que irá acontecer. O tempo que está por vir nunca será atingido por nós, porque quando chegamos até ele, ele já se transformou em presente. Assim, o agora constrói o amanhã e são nossas ações nesse tempo vivenciado que irá construir o momento intangível. Diante dessa situação criamos ilusões na forma de esperança, mas há momentos que ela se esconde e somos obrigados a conviver com nossas angústias e incertezas sobre o futuro. Nesse cenário, há uma inércia que hora nos puxa positivamente nos momentos esperançosos e há o movimento oposto. No modus operandi da negatividade acabamos navegando no mar de incertezas. Saber lidar com momentos incertos que influenciam diretamente em nosso cotidiano, metas e sonhos, é importante para conseguir sair desse quadro. Para adentrar nesse cenário incerto não há um caminho único, mas há diversos e que possuem pontos de intersecção. A visão de mundo fica entorpecida por esse sentimento e ações que antes pareciam simples, podem transformar-se em verdadeiras muralhas a serem ultrapassada. O sentimento é alimentado individualmente e corrói nossas “entranhas” gerando uma dor que só o individuo sente, mas que ele a transparece em ações, gestos, na face e até na postura corporal. Assim como a chegada nesse ponto, a saída dessa situação possui diversas possibilidades, mas ela é impar. O caminho que pode servir para mim poderá ser a estrada da perdição para outro. O autoconhecimento pode ser uma solução. Os amigos podem exercer papel fundamental. Ou nenhuma das hipóteses poderá servir e a incerteza, angustia e outros sentimentos que nos corroem podem ser prazeroso. Certo é que cabe a grandeza de entender a situação e tomar a decisão que lhe convenha.

Silêncio a dois

Silêncio a dois.

A busca por um parceiro afetivo é algo comum. Cada pessoa cria suas expectativas, vislumbra como seria o parceiro ideal e a busca ocorre em nossa vida social. A relação iniciada é um aprendizado. As primeiras, quando revistas, demonstram nossa visão sobre o assunto, revela nossa inocência e imaturidade. Há casais que conseguem superar os percalços e ter uma vida plena em companhia desde o primeiro namoro. O sentimento chamado amor, aquele que representa o desejo que sentimos pela outra pela pessoa, pela saudade que ela gera em sua ausência e até mesmo por aquele “friozinho” na barriga momentos antes do encontro, é algo que quando compartilhado engrandece a relação. A retribuição do que sentimos faz com que nossos sentimentos sejam contemplados. A nossa feição é alterada: é a tal cara de apaixonado. O ponto comum dessa retribuição se encontra na frase: “amar e ser amado”. Dentro dessa relação, dessa proximidade e da intimidade há momentos em que não se faz necessário uma palavra para ser compreendido. O olhar, gesto ou atitude pode ser mais significativo do que mil palavras ditas. Além disso, a companhia da outra pessoa e somente o estar ao lado dela pode representar preenchimento de sentimento. Assim, até mesmo o silêncio a dois pode ter significados únicos e maiores do que conversas vazias ou protocolares. Esse momento sublime pode representar a sintonia entre o casal, pois para seu entendimento não é necessário diálogo e não há espaço para questionamentos sobre o outro ou sobre o que ele está pensando, pois é senso comum de que estão juntos de corpo e “alma”.

Respeito

Respeito.

O respeito pode ser definido como demonstrar acatamento ou obediência a; cumprir. O discurso comum é que devemos respeitar para sermos respeitados. A retórica difere das práticas do cotidiano. A fala de respeitar parece não chegar as microrrelações, práticas do cotidiano, local onde de fato respeitar o outro pode ser atitude extremamente significativa. As ações básicas diárias parecem ser afetadas por uma soberba dos indivíduos que julgam ser mais importantes. Não conseguem respeitar a pessoa desconhecida que cruzam numa caminhada pela calçada onde um necessita abrir passagem para outro; não respeita limite de velocidade; não respeita fila; para em local proibido pensando que não causará problema; não respeita motorista que está em uma situação delicada no transito e tantas outras situações. O egoísmo parece chegar a níveis elevados. É fato que isso é algo que na teoria (discurso sobre respeitar) difere da pratica (praticar o respeito). Mas por que se fala tanto em respeito e todos os exigem, mas poucos praticam? A autocrítica seria uma alternativa para entender a posição individual frente essa questão e tantas outras. Entretanto, o ato de pensar sobre nossas atitudes parecer ser algo cada vez mais raro e como esperar a mudança daqueles que julgam serem superiores ou mais importantes. Fica a questão: você pratica respeito no seu dia a dia?

Hobby

A nossa vida é repleta de atividades desempenhadas desde quando viemos ao mundo. Nas fases iniciais as atividades são descaracterizadas para que não haja cobrança e que tenha um fim lúdico. No decorrer de nossa história criamos novas vontades, desejos de aprender coisas novas e encarar novos desafios. O que irá diferir das atividades anteriores é de que na vida adulta o espaço para o lúdico é reduzido, as atividades e o rendimento que desejamos demandam cobrança. Nesse trajeto, para alcançar nossas metas, haverá cobrança para desempenhar atividades que temos interesse. A atividade que inicialmente se mostra prazerosa ganha feição completamente apaixonante, mas o encantamento pode ir para o caminho oposto: desencantamento, frustração ou trauma. Pense em uma atividade que dê prazer, agora a imagine tendo que realizá-la sempre. A relação é alterada completamente. Enquanto na atividade lúdica ou hobby nós possuímos o domínio do tempo e a realizamos quando bem entendermos. Já quando a atividade caminha para lado profissional, que exige dedicação, perdemos o domínio do tempo, pois iremos realizar não mais de acordo com a nossa vontade, mas sim quando necessário e independente de nosso estado de espírito. O fascínio de algo é muito relativo e está intrinsecamente ligado ao gosto, cultura e rotina de cada individuo. O fato é que as atividades nascem dos hobbies e eles se originam nos nossos desejos que são gestados internamente. Assim, a vontade por algo novo deve ser mantida e aprimorada, assim podemos nos conhecer mais e ver todo o nosso potencial.

Discutir o Brasil.

O acirrado clima político nacional polariza o debate social. Há claros flancos abertos e os participantes defendem pontos de vistas opostos. A situação em que o Estado, a sociedade e a economia nacional se encontram é comum, mas as alternativas diferem em cada campo político. Certo é que, nesse momento de crise nacional, reformas são necessárias e podem alterar a configuração do Estado brasileiro a longo prazo, tendo impacto direto na sociedade através dos serviços prestados e da economia.

A ânsia pelo retorno da baixa inflação, do crescimento econômico e do aumento da renda perpassa o cidadão, porém há demandas, como inclusão social, redução da pobreza, saúde e ensino de qualidade, que não devem sair do horizonte do Estado. Essa questão não é simples, pois está claro que o “mercado” e uma parte significativa de grupos políticos defendem a redução do Estado e a maior participação da área privada. As reformas pretendidas pelo atual Governo corroboram essa visão e a ponte para o futuro aporta em um Estado mínimo, com orçamento engessado e classe trabalhadora “dotada” de legislação e previdência que privilegiam os empregadores.

A sociedade brasileira é formada, em sua maioria, por trabalhadores que precisam dos serviços fornecidos pelo Estado. Historicamente, essa instituição sempre foi construtora da sociedade, passou por reformas liberais e neoliberais, foi dotada de caráter gerencialista, mas voltou a ser aparelhada e grande. A educação e a saúde são de suma importância para a grande massa social e não é por menos que são garantidas pela lei máxima do país.

O embate é claro: Estado mínimo x Estado provedor. Esse embate político no qual os participantes possuem graus diferentes de poder deve ser travado. A discussão e a tomada de decisão fazem parte do jogo político. Mas no horizonte de cada um deve estar o país e a questão de suma importância, para além de aspectos meramente emergenciais, sobre qual é o país almejado para o futuro. As medidas tomadas nesse período irão delinear a construção do futuro da nação que nunca deve sair do horizonte político.

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