Busca

Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

-Não corra, Forest. Não corra!

-Não corra, Forest. Não corra!

A nossa trajetória é marcada pela busca. Desde os primeiros dias de nossas vidas as metas já fazem parte de nossa vida social, e nesse momento os objetivos são levados por nossos pais. O início é a busca pelos primeiros passos, depois as primeiras palavras e assim por diante. Sempre estamos correndo atrás de algo, e depois que chegamos ao nosso objetivo focamos em outro mais distante ainda. Ocorre que hoje mantemos esse padrão de comportamento, mas agora os objetivos a serem alcançados são bens materiais supérfluos e que nos encantam com o seu fetiche. Acreditamos piamente que ao atingir determinada meta encontraremos a felicidade plena, que comprar determinado item será o nosso Emplasto Brás Cubas resolvendo todas as nossas mazelas trazendo com ele a felicidade plena. O sabor da conquista é totalmente compreensivo, mas ao depositarmos toda nossa energia no resultado final nos esquecemos do processo que antecede. É o caso do atleta que fica pensando em como será desempenho em uma prova que tem grande importância para si. Ele sonhou com aquele momento, imagina-se na prova, e esquece que para ocorrer tudo o que deseja é necessário treinar (processo) dia após dia para só depois realizar seus anseios na participação da prova (resultado). O fim é resultado do empenho e dedicação durante o processo. Entretanto, é natural do nosso comportamento nessa sociedade contemporânea a busca pelo rápido resultado, e esse comportamento efêmero permeia todo o nosso comportamento humano. Temos a gana da rápida ascensão no mundo do trabalho; achamos que dedicar quatro anos para uma graduação é tempo demais; queremos tudo para ontem e não nos damos conta que não conseguimos aproveitar nossas próprias ações por conta do ritmo que seguimos e que não questionamos. Afinal, qual a necessidade de termos tanta pressa?

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Alienação.

Alienação.

alienação

A alienação tem por significado o processo em que a consciência se torna estranha a si mesma, afastada de sua real natureza. Deixar de ser alienado pode fazer com que questionemos a nossa realidade, nos faz ter a práxis, no sentido marxista de unir teoria e prática para mudar o mundo, alterar a nossa realidade. Entretanto é cada vez mais complicado o processo de reflexão, pois somos dragados por uma lógica que domina a nossa vida. Nem bem abrimos os olhos ao despertar e nossa mente já está nos lembrando dos compromissos que temos, nossas responsabilidades, nossos objetivos e metas que nós mesmos colocamos, mas que não paramos para pensar qual é o real efeito deles, e se realmente nos faz bem. A lógica nos obriga a sermos empreendedores de nossas vidas, e afim de que tenhamos as condições materiais para comprar temos que trabalhar, estudar e progredir e se não conseguimos a culpa é individual. Desta maneira agimos com um olhar único, uma visão que nos cega. É como o antolho (viseira) de um cavalo que o obriga a olhar somente para a direção daquele que está em seu lombo, e o ordena através de chamados com uma violência simbólica ou através do chicote com a violência física. Refletir e questionar a ordem tem seu preço, pois o sistema automaticamente excluí quem pensa diferente, e como diria Bauman, a sociedade de consumo entrega aquilo que promete. Estranho pensar isso, mas as redes sociais e seus grupos servem para mostrar como o interesse comum de determinado assunto serve para aglutinar aqueles de opinião próxima e afastar outros que divergem da opinião do grupo. Reproduzimos essa lógica nas nossas microrrelações e não notamos. A sociedade cada vez mais segmentada, que nos da ilusão de pertencimento a determinado grupo homogêneo de pensamento gera uma atitude de autoproteção do grupo, proteção da “matilha”. Assim praticamos atitudes sem as quais realmente paramos para pensar se concordamos, mas o nosso desejo de sentir contemplado, incluído em um grupo é muito maior. Não é simples pensar diferente. Será que é melhor não pensar e ficar com o sentimento de “identidade” que a nossa sociedade calcada no consumo oferece?

Não há nada de novo Ainda somos iguais

Não há nada de novo
Ainda somos iguais

 

Ao longo de nossa jornada passamos por experiências que nos fazem alterar a nossa percepção. É comum dizermos que não fomos mais a mesma pessoa, que mudamos a todo o momento, e de certa maneira isso possui total coerência. Mas será que mudamos tanto assim? Será que as alterações causadas por decepções, brigas, fim de um relacionamento são tão fortes a ponto de mudarmos completamente? A mudança completa seria aquele sem volta. Será que não passamos por processos e dentro deles alteramos nossa forma de agir por conta do medo de nos machucar, receio de ter aquele sentimento que queremos afastar?  Assim, somos modificados por ações externas e internas que acabamos somatizando. Entretanto, a nossa essência não é alterada, mas podemos suprimi-la. Pensemos em uma pessoa com a característica marcante de estar sorrindo, demonstrando felicidade. Ela pode passar por situações que a faça trocar a felicidade pela tristeza, indiferença. Mas será que ela deixou de ser uma pessoa feliz ou momentaneamente o sentimento de tristeza é maior que a felicidade? Porque passado o momento difícil a felicidade regressa a ela e em um movimento natural, e de mão dupla do interno para o externo. No limite, é como o título da reflexão Não há nada de novo Ainda somos iguais que é um pequeno trecho da música Meu erro da banda Paralamas do Sucesso.

Bloco do Eu sozinho.

Bloco do Eu sozinho.

 

A autonomia que segundo o dicionário é a capacidade de se autogovernar, ou ainda, de acordo com Kant (1724-1804) é a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível. Ela é um traço característico e que buscamos ao longo de nossa jornada. Desde pequenos tentamos ser autônomos. Já quando éramos crianças demos os primeiros passos em direção a autonomia tentando fazer algo sozinho ou tendo a audácia de dispensar a ajuda de um adulto, mesmo nós sendo aqueles que até pouco tempo atrás ainda estávamos nos locomovendo em quatro apoios. Crescemos e continuamos desenvolvendo dentro desse processo. Eu até hoje penso que não posso depender de alguém, que devo ter minha própria capacidade de realizar aquilo que desejo. Mas qual o sentido dessa autonomia? Vivemos nessa sociedade liquida que sabe cada vez menos lidar com as frustrações, que calca seu prazer no consumo de bens materiais e subjetivos como as relações afetivas, que descarta amizades com um simples clique fazendo com que o virtual influa no real. Assim, estamos virando um grande bloco de “Eu(s)” sozinho(s) conectado através de celulares e escondendo nossas frustrações?

Os bares estão cheios de almas tão vazias.

Os bares estão cheios de almas tão vazias.

A frase é retirada da música “Não existe em amor em SP” do cantor Criolo, e uso esse trecho para refletir sobre o que fazemos a noite. Para que saímos à noite? Sabemos realmente o que queremos? Sair à noite, de dia ou fim de tarde, não importa a hora, gostamos de nos divertir. É algo inato ao ser humano. Somos hedonistas em nossa essência. Entretanto, qual o sentido da busca pelo prazer? Será que realmente estamos buscando algo prazeroso ou é uma fuga de problemas mais variados e que nem percebemos como eles nos afetam? Cada um tem seu próprio comportamento, moral e valores, assim agindo de maneira própria. Mas como o título sugere o ambiente a ser refletido é o bar. Aquele que vamos como os amigos e amigas, aquele que vamos à busca de conhecer alguém de maneira informal, aquele que vamos só pelo simples fatos de já não estarmos mais dentro de casa, pois ficar em casa pode ser um enorme tédio. Repetimos a ação de forma tão automática que nem nos damos realmente conta do que estamos fazendo, mas a certeza que temos é que procuramos algo prazeroso e de forma rápida. Porém qual o benefício desse prazer? Será que ele não é mais uma droga social a qual buscamos seu efeito a todo o momento?

Conhece a ti mesmo?

Conhece a ti mesmo?

Nós temos uma maneira de agir e comportar. Nem sempre conseguimos perceber como atuamos, como repetimos nossas ações e comportamentos nas mais diversas situações. A repetição de situações análogas que passamos escapa a nossa vista e a falta do autoconhecimento impede que possamos notar essas sutilezas. Parece que é mais fácil notar esse movimento nos outros. Assim, somos bons observadores alheios, mas ruins na observação e identificação interna. Talvez seja um dos “n” motivos que levam mais e mais pessoas procurarem terapia. E sejamos sinceros, conhecimento não faz mal a ninguém e ainda mais nesse caso, onde conseguimos conhecer um pouco mais de nós mesmos. A agitação do dia a dia não permite espaço para reflexão, espaço para podermos ouvir a nossa vontade, pois estamos ligados a movimentos externos, dragados pelo mundo do trabalho com suas demandas intermináveis e que sugam as nossas energias, e paradigmas de comportamento que seguimos, mas sem saber por quê.  Porém é necessário ir contra a corrente, parar e olhar para dentro, pois sem isso não iremos nos cuidar e podemos nos tornar aquela árvore velha que ao nos deparar com ela tem um sua casca aparentemente saudável, mas está podre por dentro.

-Eu te entendo. -Será mesmo?

-Eu te entendo.
-Será mesmo?

 

Compreender o outro é algo que dizemos fazer, e algo que agrada diversas pessoas. Entretanto será que realmente somos capazes ou tentamos nos colocar no lugar da outra pessoa, mas sem perder a nossa referência? Há a palavra empatia que pode ser compreendida como a capacidade de se colocar no lugar do outro. Isso será o suficiente? Não quero aqui dizer que não somos incapazes de entender o sentimento do outro, mas será que realmente o compreendemos em sua complexidade. Quando nos colocamos no lugar do outro, não podemos simplesmente “tomar” a posição que o outro estava e tentar compreender, pois aí será a nossa experiência, o nosso sentimento relatado. É necessário maturidade para praticar a empatia. No momento de se colocar no lugar do outro, deveríamos compreender a sua visão de mundo, como ele incorporou o conhecimento e o valor que ele da as coisas. Seria como se estivéssemos praticando um “divórcio cultural”, nos desprendendo de nosso ponto de vista e realmente enxergando com outros olhos. Sem tal atitude continuamos julgando com base em nosso juízo de valor, e ver o mundo somente sob nossa perspectiva.

Você vai. As marcas ficam.

Você vai. As marcas ficam.

Relacionamos-nos diariamente com pessoas de forma real ou virtual. Algumas criamos vínculos, sentimentos e trocamos experiências. Mas nem sempre as relações são duradouras. Na era das relações efêmeras, quando pensamos que será duradouro, a vida nos prega uma peça e o destino nos separam daquela pessoa que estamos gestando um sentimento. Mas a distancia e até mesmo a falta de contato não apaga a marca que ela deixou. E nesse ponto é que sofremos, pois se a marca é boa sofremos pela saudade, relembramos da pessoa em situações do dia a dia, stalkeamos as redes sociais na busca por uma notícia, foto ou algo que possa saciar a nossa vontade. Se a marca é ruim sofremos por relembrar do trauma, podemos ficar remoendo, relembrando momentos, pensando em “n” possibilidades daquilo que poderia ser diferente e no fundo só estamos causando a nossa dor. Somos torturados em um trabalho conjunto da mente que traz à tona as lembranças e pelo coração que a cada lembrança nos faz sentir novamente o sentimento por alguém que não temos mais. Não somos somente vitimas nessa relação, também somos capazes de deixar marcas. Cada um lida com sua própria dor, e cada um tem o direito de se achar “o maior sofredor do mundo”.

Preguiça

Preguiça.

 

A preguiça de acordo com o dicionário é aversão ao trabalho; pouca disposição para trabalhar; ócio. Lentidão em fazer qualquer coisa; morosidade; estado de moleza. A definição pode ser pouco conhecida, mas o que ela representa não é. Nós “enfrentamos” diariamente e cada indivíduo trava sua batalha pessoal. Ela pode ser quando se acorda na segunda para ir trabalhar, e aí você sente que o final de semana de bebedeira com os amigos serviu para trazer cansaço e a preguiça. Pode ocorrer após a refeição, quando vem aquele sono típico pós-almoço. Há diversas situações em que pode ocorrer e outras em que ela serve como incentivo. Há tempos refleti que o homem que havia inventado a roda seria o mais preguiçoso, pois ele criou algo que possibilitou uma tremenda economia de energia (rs). Desde então, penso que as invenções vão à direção da preguiça, e corroboram para que o Homem tenha que desempenhar a menor quantidade de energia e com o maior conforto e comodidade possível. Seria como um amigo de graduação dizia: é a lei do menor esforço. Não quero aqui dizer que realmente somos todos preguiçosos. Entretanto, acho que devemos reconhecer esse sentimento que há dentro de nós, mas que é visto com ojeriza pelo mundo capitalista do trabalho.

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