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Para além do bem e do mal

O ano de 2018 reserva para a população brasileira mais um pleito, porém, ele difere dos já ocorridos em toda a nossa história. O fluxo de informações que ocorre hoje nunca foi visto: as notícias chegam minuto a minuto e, com elas, os boatos. O mundo político sofre com a descrença provocada por seus personagens que, ao longo dos anos, tratam o bem público como empresa particular ou até mesmo como uma “galinha dos ovos de ouro”.

Os candidatos há tempos iniciaram suas ações para movimentar a base de apoiadores, mas ainda chegará o momento do confronto de ideias. A sociedade brasileira está machucada com os acontecimentos dos últimos anos; as manchetes dos meios de comunicação trouxeram muitas notícias de corrupção, redução do tamanho da economia e práticas da classe política em causa própria. Os fatores são somados com a realidade. O poder de compra foi reduzido, os salários foram, muitas vezes, diminuídos em prol da manutenção de cargos e o pensamento de que “é melhor se sujeitar a isso do que estar sem emprego” está presente em todas as camadas da população, que sofre com os choques na economia provocados pelos atos (de) políticos.

A próxima eleição não deverá ser como as anteriores e há uma série de fatores para justificar isso. É preciso pensar além da polarização eleitoral que já foi criada há alguns anos; é necessário ir além de ataques de seguidores de “mitos” ou políticos messiânicos que se colocam como a solução, mas que não apresentam propostas para a nação. Destruir é mais fácil do que construir.

Os debates serão espaços para o confronto de ideias e o (e)leitor deve, a todo momento, pontuar aquilo que deseja. No limite, o cidadão deseja um país melhor, com qualidade de vida, sem a perda de direitos sociais, capacidade de adquirir bens de consumo e qualidade na educação. Seria utópico desejar que os debates dessa eleição fugissem da rotina de ataques pessoais e partissem para a proposição de ideias realmente exequíveis? O que se faz de mais necessário em momento de crise é a oportunidade de novas ideias. As que já foram apresentadas mostram-se esgotadas e é necessário articulá-las com a realidade que está posta, desta maneira, fugindo do estelionato eleitoral. A conquista do voto deveria ser resultado de um projeto de nação feito pelo candidato e não de uma escolha do eleitor pelo “menos pior”.

Importância

Importância

A nossa vida é entrelaçada com diversas outras. Relacionamos-nos com pessoas diariamente, e não notamos de fato a relevância que elas têm até que seu trabalho não seja desempenhado corretamente, e aí acaba nos afetando. Nós reproduzimos uma forma de pensar e encarar o mundo em que valorizamos alguns em detrimento de outros. Cada um tem seu valor, contudo de fato sabemos enxergar qual esse valor? Conseguimos respeitar? Se chegarmos atrasados no trabalho e foi por conta do motorista do ônibus que por algum motivo não conseguiu cumprir o itinerário a tempo, nós o culpamos e alguns chegam a reclamar no momento. Cobrá-lo porque está atrapalhando a nossa rotina de alguma maneira. Entretanto, nos demais dias que ele segue a risca e cumpre seu trabalho, lembramos-nos de agradecê-lo? Não é que seja necessário vangloria-lo, mas trata-lo com o devido respeito. Temos a tendência de pensar que seu trabalho é sem importância. Uma simples comparação. O que é mais importante para uma sociedade: lixeiro ou economista. Se os economistas desaparecessem a nossa rotina não iria mudar e continuaríamos trabalhando. E se o lixeiro não fosse mais trabalhar? Imagine a quantidade de lixo que iria acumular o mau cheiro e a situação ainda poderia ser agravada com as chuvas. No entanto, qual o profissional mais valorizado? A divisão social do trabalho em nossa sociedade permite que cada um tenha a sua função, mas não há o devido respeito e valorização. Alguns possuem valor maior ou prestigio que outro. Nós reproduzimos esse comportamento sem refletir.

Eu acho, logo estou certo: o embate nas redes sociais.

Eu acho, logo estou certo: o embate nas redes sociais.

As redes sociais são realidade e parte do cotidiano da maioria da população. Nelas há espaço para compartilhamento de ideias, pensamentos, vídeos e o mais diverso tipo de conteúdo. Sua organização repete a dinâmica da sociedade e possibilita agregar membros em grupos, de acordo com seus interesses. Tal movimento é semelhante à organização da sociedade civil e de seus grupos. Essa semelhança pode e deve ser encarada como extensão entre grupos reais da sociedade civil e os grupos de redes sociais, pois, atualmente, suas ações começam a ser gestadas no ambiente virtual.

A relação entre esses grupos perpassa seus membros e alcança a esfera pública. A rede social permite exercer ativismo digital e usar o espaço virtual para a transformação do ambiente real. Ela também viabiliza um sistema democrático, participativo e de consulta à população. Ocorre que há diferença na velocidade da ação entre os ambientes. Na rede, em um simples clique, é possível assinar uma petição ou abaixo-assinado, mas o tempo para ocorrer a transformação real é muito maior.

Esse ambiente remete ao ideal. Uma simples visita a páginas que abordam temas políticos ou questões relativas à cidade demonstra que a realidade é totalmente diferente. Há defesa cega de candidatos ou ideologias por parte de internautas. Ocorre overdose de informação, fazendo com que o indivíduo se torne, progressivamente, menos capaz de efetuar julgamentos de valor adequados. A ampliação da repercussão de boatos e mentiras remete ao antigo “boca a boca”, agora em proporção exponencial devido ao alcance e à velocidade da disseminação da informação.

A democracia permite a liberdade de ideias e opiniões, mas é possível ver uma degradação atual do debate. Palavras duras são usadas e o reposicionamento é algo extremamente raro. Se o filósofo francês René Descartes dizia “Penso, logo existo”, no iluminismo, a internet inaugura o “Eu acho, logo estou certo”. Assim, o debate não parte de princípios ou informações corretas, mas da opinião individual daqueles que não querem pensar, que querem somente atropelar os que divergem da sua forma de pensar, de encarar o mundo ou de seu candidato. O espaço que poderia ser mais uma via de possibilidade da cidadania e da interlocução é pervertido pelo ódio e pela intolerância dos usuários, não cumpre plenamente seu papel como interlocutor com a esfera pública e serve como “muro de lamentação” para muitos.

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