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mês

novembro 2017

Bloco do Eu sozinho.

Bloco do Eu sozinho.

 

A autonomia que segundo o dicionário é a capacidade de se autogovernar, ou ainda, de acordo com Kant (1724-1804) é a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível. Ela é um traço característico e que buscamos ao longo de nossa jornada. Desde pequenos tentamos ser autônomos. Já quando éramos crianças demos os primeiros passos em direção a autonomia tentando fazer algo sozinho ou tendo a audácia de dispensar a ajuda de um adulto, mesmo nós sendo aqueles que até pouco tempo atrás ainda estávamos nos locomovendo em quatro apoios. Crescemos e continuamos desenvolvendo dentro desse processo. Eu até hoje penso que não posso depender de alguém, que devo ter minha própria capacidade de realizar aquilo que desejo. Mas qual o sentido dessa autonomia? Vivemos nessa sociedade liquida que sabe cada vez menos lidar com as frustrações, que calca seu prazer no consumo de bens materiais e subjetivos como as relações afetivas, que descarta amizades com um simples clique fazendo com que o virtual influa no real. Assim, estamos virando um grande bloco de “Eu(s)” sozinho(s) conectado através de celulares e escondendo nossas frustrações?

Os bares estão cheios de almas tão vazias.

Os bares estão cheios de almas tão vazias.

A frase é retirada da música “Não existe em amor em SP” do cantor Criolo, e uso esse trecho para refletir sobre o que fazemos a noite. Para que saímos à noite? Sabemos realmente o que queremos? Sair à noite, de dia ou fim de tarde, não importa a hora, gostamos de nos divertir. É algo inato ao ser humano. Somos hedonistas em nossa essência. Entretanto, qual o sentido da busca pelo prazer? Será que realmente estamos buscando algo prazeroso ou é uma fuga de problemas mais variados e que nem percebemos como eles nos afetam? Cada um tem seu próprio comportamento, moral e valores, assim agindo de maneira própria. Mas como o título sugere o ambiente a ser refletido é o bar. Aquele que vamos como os amigos e amigas, aquele que vamos à busca de conhecer alguém de maneira informal, aquele que vamos só pelo simples fatos de já não estarmos mais dentro de casa, pois ficar em casa pode ser um enorme tédio. Repetimos a ação de forma tão automática que nem nos damos realmente conta do que estamos fazendo, mas a certeza que temos é que procuramos algo prazeroso e de forma rápida. Porém qual o benefício desse prazer? Será que ele não é mais uma droga social a qual buscamos seu efeito a todo o momento?

Conhece a ti mesmo?

Conhece a ti mesmo?

Nós temos uma maneira de agir e comportar. Nem sempre conseguimos perceber como atuamos, como repetimos nossas ações e comportamentos nas mais diversas situações. A repetição de situações análogas que passamos escapa a nossa vista e a falta do autoconhecimento impede que possamos notar essas sutilezas. Parece que é mais fácil notar esse movimento nos outros. Assim, somos bons observadores alheios, mas ruins na observação e identificação interna. Talvez seja um dos “n” motivos que levam mais e mais pessoas procurarem terapia. E sejamos sinceros, conhecimento não faz mal a ninguém e ainda mais nesse caso, onde conseguimos conhecer um pouco mais de nós mesmos. A agitação do dia a dia não permite espaço para reflexão, espaço para podermos ouvir a nossa vontade, pois estamos ligados a movimentos externos, dragados pelo mundo do trabalho com suas demandas intermináveis e que sugam as nossas energias, e paradigmas de comportamento que seguimos, mas sem saber por quê.  Porém é necessário ir contra a corrente, parar e olhar para dentro, pois sem isso não iremos nos cuidar e podemos nos tornar aquela árvore velha que ao nos deparar com ela tem um sua casca aparentemente saudável, mas está podre por dentro.

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