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Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

mês

setembro 2016

O fim

 

A vida tem seu ciclo natural: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Encarando de maneira simples e direta, seria dizer que há começo, meio e fim. O mesmo acontece em diversos assuntos. As relações, o trabalho, planos e metas, uma hora chegam ao fim ou têm de ser alterado de maneira substancial que não se parecem mais com o iniciado. Diferente da vida que finda com a morte, as demais situações vislumbram final totalmente diferente. O término representa o inicio de algo novo, mas que às vezes demoramos a entender por estarmos entorpecidos pela dor. Desde crianças ouvimos narrativas com final “felizes para sempre”. A felicidade não é eterna e a tristeza também não se apresenta ininterruptamente. Os momentos devem ser vivenciados e sentidos, pois assim saberemos dar valor a cada um desses sentimentos, e compreender que há algo novo a nossa espera. O nosso conto de fadas mudou, não há mais o mesmo desfecho. Mas a felicidade ainda estará em nosso horizonte. A tristeza faz parte da vida e contribui para momentos de reflexão e autoconhecimentos. Cabe saber aproveitar e tirar o melhor de cada situação.

Tempo de plantar

O sonho e a sua realização são etapas distintas na vida. Para alcançá-lo é necessário planejamento e trabalho árduo. Há momentos que se deve trabalhar duro sem imediatismo. Parecido com esse processo é a construção de uma casa. Para obter o resultado desejado de uma casa sólida, capaz de aguentar as intempéries do clima é necessário fazer alicerce firme, forte e com tenacidade de suportar os desafios que virão. A base da casa pode ser comparada com o trabalho que precede o sonho na vida. Para obtê-lo é necessário fazer esforço que não será visto, sem resultado de imediato, mas que em longo prazo será a base para a conquista da aspiração. O trabalho mal feito, fraco resultará em fracasso. Na casa a base fraca representará um perigo para seus moradores, pois ela não estará apta a proteger seus residentes. Na vida o estrago pode ser ainda maior, pois significará o fracasso, a desilusão. Lidar com a quebra de expectativa é difícil, doloroso e traumático, mas quando há base e a certeza de solidez fica facilitado o caminho e torna a realização próxima.

Amizade a distancia.

A amizade é o laço entre as pessoas, e acompanha o desenvolvimento humano. No inicio, a proximidade entre duas pessoas era fundamental para gerar o apego entre elas, e caso houvesse afastamento as cartas seriam o meio de comunicação para manter o vínculo. Atualmente a situação mudou e a internet altera de forma brutal essa dinâmica. Hoje não há mais a necessidade de estar próximo, trocar uma palavra ou olhar. Na modernidade criamos afinidade com pessoas que nunca chegamos a ver o rosto pessoalmente, e compartilhamos momentos como se fossemos amigos de longa data. O grau de envolvimento varia de acordo com a entrega dos envolvidos. A amizade construída no mundo virtual atende as mesmas premissas de antigamente, e utiliza as ferramentas tecnológicas para suprir a ausência do contato humano. A troca de mensagens de texto, fotos e mensagens de voz atua de forma semelhante à conversa e a troca de olhares, mas não supera a real interação e o sentimento contido em um abraço. Mesmo assim, os laços criados no mundo virtual hoje em dia tem seu valor e atuam como forma moderna de amizade. Há a dependência daquela pessoa que conhecemos através de um APP ou rede social, e se por algum motivo o contato cessa, o sentimento de saudade vem à tona. Assim, se antigamente havia a necessidade da proximidade, hoje há a necessidade do interesse comum de indivíduos, o encontro de forma virtual e compartilhar suas histórias e experiências, deixando uma simples troca de mensagens provocar a amizade entre duas pessoas distantes.

Peso do erro.

A tomada de decisão é algo presente nosso dia a dia. As ações que tomamos muitas vezes podem ser arriscadas. O cálculo do risco está presente durante o processo de escolha. Às vezes somos arbitrários e assumimos riscos que julgamos nunca acontecer a nós. Seria como se nos achássemos acima do bem e do mal, intocáveis, inabaláveis por quaisquer riscos. O motivo da “soberba” fica por conta da baixíssima probabilidade de algo dar errado, mas não refletimos que em cada evento a chance do erro é semelhante, e um momento aquela situação sumariamente ignorada pode acontecer. Encarar o erro é algo dolorido e pode consumir tempo, gerar tristeza. Não basta encenar, discursar perante amigos ou pessoas envolvidas se na próxima ocasião repetir os passos. Assumir o ato é sinal de grandeza e maturidade, porém essa posição deve ser tomada quando realmente há arrependimento e compreensão de que em próximo caso semelhante a atitude será diferente.

Tente outra vez.

A vida é uma roda gigante formada por momentos de dificuldades, felicidades, conquistas e derrotas. Vivemos cada situação em sua plenitude. Os períodos felizes são celebrados, compartilhados com amigos e familiares. A dificuldade age como filtro, afasta as pessoas que nos rodeiam, e faz com que fiquemos ilhados. Muitas vezes a única ajuda é aquele “tapinha nas costas” e as palavras sem sentimento de que as coisas irão melhorar. O sofrimento, o apuro e a dor são sentidos por quem os vivencia. Nesses tempos, parece que nada da certo, somos inundados pela negatividade e a esperança vai embora sem deixar lembrança ou perspectiva de dias melhores. A circunstância pode chegar ao extremo e causar danos ao individuo e àqueles que são dependentes. Porém, por terrível e desolador que possa ser o quadro, não se deve perder a força para lutar. Como na roda gigante que se movimenta, a dificuldade tem que ser movida através da tentativa de superação. Planejamento e sapiência são necessários para vida, uma vez que ninguém está ileso de passar por momentos ruins. Ocorre que fica mais fácil prevenir e se safar de situações que possam complicar a vida e acabar com sonhos. Caso seja surpreendido não pare de tentar.

A escolha.

O nosso desejo por uma nova atividade possui origem. Ela pode ser de algo corriqueiro que acontece em nosso cotidiano ou pela admiração ao ver alguém desempenhando. Entre a realização e a aspiração ocorrem etapas de amadurecimento da ideia previamente elaborada. Seria como o processo da compra: pensamos o que comprar, porque ter, onde adquirir e até onde descartar. O primeiro uso pode determinar nosso comportamento perante o objeto. Processo análogo ocorre quando vamos desempenhar uma nova atividade. A primeira experiência pode ser traumática e causar o abandono, mas o choque pode ocorrer por não estarmos preparados ou por não sabermos escolher. Seria como querer adquirir o hábito de ler e iniciar por algo que não cause interesse ou começar a correr e tentar encarar uma prova. Necessário é ter calma, sabedoria para escolher e perseverança para incorporar a atividade ao seu cotidiano. A persistência nos faz encontrar o prazer; altera o que de inicio foi desagradável em algo que motive e sentimos desejo em fazer. Assim, adquirimos força para enfrentar os desafios que queremos superar, aumentamos nosso desempenho. Como nos exemplos, seria o ato de descobrir o prazer pela leitura, compreender a sutileza e beleza que a literatura proporciona ou na corrida, tendo força para correr, disposição para melhorar o rendimento e o prazer em praticar o esporte tornando as práticas parte da vida.

Amizade

Amizade.

O laço afetivo está presente desde o dia em que nascemos. Somos convidados à interação social pelos nossos pais, e apresentados a diversas pessoas antes mesmo que pudéssemos balbuciar as primeiras palavras. A interação, no inicio, é através da expressão facial e do choro. Além do envolvimento com outros adultos somos apresentados a outros bebês. Desde o começo eles são classificados como “amiguinhos”. Os primeiros amigos iniciam vínculo por conta da vontade paterna. No decorrer da vida continuamos a praticar a aproximação social, mas dessa vez está presente a nossa vontade. O interesse guia as relações humanas. É através dele que a aproximação gera amizade, e as experiências compartilhadas nutrem o vínculo. Ocorre que, ao longo da vida acabamos mudando de escola, indo para universidade, mudando de bairro ou até mesmo de cidade. A cada nova mudança ocorre distanciamento dos amigos, mas as conexões verdadeiras continuam independentes da distância ou tempo sem ver um ao outro. Em nossa jornada é um processo natural e cíclico, pois a cada mudança temos a oportunidade de conhecer novas pessoas, criar novos vínculos. O importante é saber lidar com as mudanças e o sentimento de que os vínculos firmados servem para construir a nossa história e deixar a marca dos amigos em nós.

A tormenta antes da calmaria

A vida é cíclica. Há momentos de calmaria e de tormenta. Saber lidar com eles e retirar aprendizados é tarefa que exige maturidade. Importante compreender o momento em que se encontra e o peso das escolhas. São elas que guiam às águas tranquilas ou turbulentas. Antes de escolher é importante que haja calmaria interna para estar bem consigo. O processo de apaziguamento permite clareza na hora da realização das escolhas. É através da clareza do norte interno que permite escolher o caminho para sair da tempestade. Há momentos que é necessário sofrer com os abalos da tempestade para saber o caminho a seguir. Capitanear a própria vida não é fácil, mas é prazeroso, possibilita que a vontade e escolhas guiam sua rota.

Nossa realidade

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O discernimento da realidade está atrelado à condição ou capacidade de enxergar o entorno. Não significa que somos cegos, mas que tal atitude decorre de nossa organização social e política. Agimos como se vivêssemos em uma “bolha”, um prisma catalisador da imagem gerada. As cenas formadas têm como combustível nossa realidade associada a nosso senso crítico. Há também outros fatores incorporados ao tecido social das sociedades atuando como filtros. No Brasil, o Estado cumpre esse papel. Somos formados por diversas raças, com predominância de negros, mas convivemos normalmente com a paupérrima presença deles em diversos ambientes.

A “bolha” traz a sensação de que estamos certos, ignorando questões importantes em uma sociedade marcada por forte passado escravocrata, desigualdade social e racial. Se a política imigratória no fim da Primeira República (1889-1930) objetivou o branqueamento da sociedade e o esquecimento do trabalho escravo, trouxe consigo movimentos sociais posteriores. As ideias podem alterar a visão de mundo, tornando a “bolha” mais frágil e chegando a rompê-la.

As contradições sociais brasileiras permanecem; mesmo com os diversos momentos em que o país tentou superar sua condição, alcançando novo patamar, o salto foi incompleto. A relação Casa Grande & Senzala ainda é mantida e compreendida de forma subliminar ou imperativa; dependendo da sensibilidade de quem vê. O mito da democracia racial permanece cruel, pois o negro ainda não possui espaço. Quando aceito, é considerado “branco” e violentado: “ele é negro, mas é diferente”. O uso da conjunção adversativa “mas” expressa a violência simbólica, que diariamente é filtrada pela “bolha”.

A desigualdade social é pouco enfrentada e quando há contato com ela busca-se proteção. A proteção, tão presente na sociedade brasileira, ocorre com o fechamento do vidro do carro ou com o pedido feito à polícia para retirar alguém que não pertence a sua realidade social e que, de acordo com seu julgamento, está em local inadequado, transgrediu a ordem e merece ser punida.

A realidade é dura, mas deve ser enfrentada para que mude diariamente; em todos os âmbitos da vida. Sair da bolha implica mudar de atitude, enxergar aquilo que não queremos e que machuca. O “novo” pode chegar de diversas maneiras e experiências. Não é necessário passar por um trauma para ter criticidade e mudar sua vida. O necessário é afastar o comodismo, conformismo e a espera de que a solução chegará pelo alto, pois dali só chegarão novos prismas para a construção da realidade mascarada.

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