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mês

maio 2017

O vidente em causa própria.

O vidente em causa própria.

O vidente é aquele que faz diversas previsões. Nós também fazemos o mesmo cotidianamente, e em nossas reflexões sobre a vida alheia sentenciamos o futuro, assim como Nostradamus o fazia. Mas nossas “previsões”, palpites sobre a vida de outrem não é registrada. Às vezes compartilhamos com aquele(a) que está ao nosso lado em uma conversa informal. Somos capazes de definir o futuro de casais a primeira vista. Estranho esse nosso “poder”, pois, aquele que está do lado de fora da relação nunca sabe de fato o que ocorre entre o casal. Porém, a intenção desse texto não está debruçada sob terceiros. A ideia é refletir sobre as nossas atitudes em nossos relacionamentos. Se no relacionamento de terceiros conseguimos julgar de forma sumária. Qual o nosso comportamento frente às relações que vivemos? A relação na modernidade é cada vez mais efêmera e segue a dinâmica de um produto em que compramos, usamos e depois descartamos. Mas quando iniciamos a relação não deveríamos ter em nossa mente a intenção de ser algo duradouro? Não somos capazes exercer a função de “videntes” e prever o destino das relações que vivemos? Suponha que você conheça alguém, e que logo de imediato tal pessoa complete suas expectativas, se mostre uma pessoa encantadora e lhe traga à mente a questão: como pude viver tanto tempo sem ele(a)? Entretanto, a sua “previsão” é de que a relação não será duradoura, que um acabará machucando o outro e que no final o “conto de fadas” se torna em um conto dos irmãos Grimm. Qual a sua reação? Teria coragem hercúlea de terminar tudo, aguentar a dor e seguir seu caminho? Encararia a relação com seus momentos bons, ruins e viveria na plenitude tudo o que a relação pode proporcionar tanto a dor quanto o amor? Para apimentar a questão, no momento da revelação do destino, seria aquele momento em que nos percebemos realmente envolvidos. Aquele momento em que você sente um vazio quando a pessoa não está ao seu lado, que o dia sem receber suas mensagens tem as horas passadas “lentamente” e que ao tempo ao lado dela passe voando. Nessa situação, qual seria sua atitude?

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas?

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas?

A frase celebre do livro Pequeno Príncipe é aqui transformada em questão. A tentativa é de refletir sobre ela a luz das relações nos dias atuais. A tecnologia alterou de forma profunda os vínculos sociais. As futuras gerações encararão maiores transformações. O certo é que a relação hoje se parece e muito com algo comercial, e se não gostamos do “produto” logo descartamos. O descarte ocorre cotidianamente. Pense: quantas pessoas adicionamos no Facebook; quantas ignoramos sumariamente pelos mais diversos motivos. Ao iniciar “amizade” no mundo virtual deparamos com o que foi projetado pela pessoa, fotos selecionadas, frases de livros que muitas vezes nunca foram lidos de fato são colocadas para descrever o perfil. É um jogo onde não há inocentes. A construção do personagem ocorre de ambos os lados. Nesse embate projetamos quem gostaríamos de ser e não quem realmente somos. O encantamento inicial é pela interpretação da imagem projetada pelo outro. Falta realidade na relação e sobra idealização. O personagem mascara aquilo que gostaríamos de esconder, as nossas perdas e dores. O fato é que todos se machucam – são traídos, enganados ou sofreram algum desapontamento -, mas cada um precisa resolver sua própria situação. Diante deste quadro, a frase do livro faz sentido? Podemos ser responsáveis por cativar em um jogo em que cada jogador esconde sua real face?

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