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Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

mês

outubro 2016

Medo da dor.

A dor é sofrimento. Nossas experiências malsucedidas podem ser traumáticas e deixar marcas internas que alteram a nossa forma de encarar e escolher. O medo de sofrer faz com que fiquemos fechados para novas experiências. Mas a escolha racional de evitar sofrimento pode ser irracional: negamos vivenciar experiências que na verdade nos agradariam. As decisões tomadas, as relações que vivemos fazem parte de nossa história. A cicatriz interna deve servir para lembrar-nos do que deu errado e não devemos repetir, mas não deve ser usada como pretexto para reclusão. O pensamento de evitar perdas ou traumas deve ser invertido, mesmo que isso pareça eloquente. A busca deve ocorrer pela felicidade. Os momentos bons e ruins fazem parte da história. Não há narrativas cheias de felicidade, pois a dor, sofrimento e até a perda podem representar momento de crescimento e valoração do que está por vir. Aquele que sempre é feliz não conhece de fato a felicidade, porque nunca sentiu a tristeza e grandeza da reconstrução.

Por que escrever?

O ato de escrever é tarefa solitária, e faz com que passamos aquilo que esta guardada no nosso interior para o papel. Expressar sentimentos em forma de palavras não é simples. Em um diálogo há a facilidade da fala, mas pecamos por receio de que o nosso interlocutor possa pensar ou compreender de forma equivocada o que estamos dizendo. Na escrita não há interlocutor, há somente o autor, papel e caneta, e mesmo assim conseguimos complicar, não expressar com clareza as nossas ideias, sentimentos e desejos. Escrever é parecido com as demais atividades que fazemos, e para melhorar necessitamos praticar, errar e acertar. A questão é que ela pode ser praticada pelos letrados, mas são poucos os que se aventuram nesse certame. O ato de escrever e a forma como escrevemos revela um pedaço de nossa natureza. Seria como se em cada texto estivéssemos mostrando um pouquinho de nossa essência, de forma pura e sem máscaras sociais usadas para bajular determinados grupos. Escrever para alguém ou por alguém tem seu valor, mas escrever por si mesmo gera sentimento de conforto maior. A cada nova linha, uma nova descoberta e a cada texto terminado um sentimento toma conta. É o reconhecimento de cada sentimento que está dentro de nós. O fruto desse diálogo com nós mesmo durante a escrita reforça o ato de ouvir nossos sentimentos, e que por vezes, na correria do dia, calamos para que não atrapalhe a tomada de decisão. Escrever demanda tempo. O tempo demandado com nós mesmo é investimento e não tempo gasto. Respondendo a pergunta que dá título ao texto: escrevo porque sinto a vontade de passar para o texto aquilo penso e que nem sempre falo, mas que reflito e quero que chegue ao leitor a minha reflexão.

Sociedade e classe política no Brasil

A relação entre sociedade e classe política segue uma dinâmica cíclica principalmente nos momentos de crise. As rupturas institucionais na história brasileira tiveram como característica o descontentamento com governos e a aproximação de políticos à sociedade, com uma agenda comum. Após esse processo, os membros se distanciaram e a prática não teve relação com o discurso que unia cidadãos e políticos de oposição. Pensemos a respeito.

No final da República Velha (1889-1930), o clima brasileiro era de descontentamento geral. As novas frações de classe (movimento operário, feminista, nacionalista, escolanovista e modernista) buscavam seu espaço e havia forte descrédito com as instituições e o sistema eleitoral: era o fim do “voto de cabresto”. Assim, a Aliança Liberal, formada pelas oligarquias gaúcha, mineira e pernambucana, além do apoio tenentista, fez oposição a Júlio Prestes. No pleito de 1929, o candidato situacionista venceu, mas logo houve a Revolução de 1930. Foi o início da Era Vargas que durou até 1945. O governo provisório alterou o Estado, outorgando diversas medidas, algumas ainda vigentes, como a CLT, concurso público, voto feminino e a criação da USP em 1933. O Governo de 1930 deu origem ao Governo Constitucionalista em 1934 e, posteriormente, à ditadura do Estado Novo em 1937. Apesar da realização das medidas necessárias, o plano de governo apresentado à população foi totalmente alterado, transformado em ditadura personalista de Getúlio Vargas.

Processo semelhante ocorreu em outros momentos da história. Apesar da aproximação e do apoio popular em 1964, logo pôde-se sentir a forte repressão do Estado militar. A ditadura constitucionalista cerceou direitos civis, calou vozes, deixou uma imensidão de mães à procura de filhos que ousaram defender o país e netos que nunca entenderam por que seus pais saíram e nunca mais voltaram.

Hoje, o Brasil passa por momento semelhante: houve quebra institucional através de impeachment. A classe política de oposição proferiu o discurso da mudança e alimentou a esperança da massa insatisfeita. Agora os opositores são Governo e planejam uma série de mudanças: reformas trabalhista, educacional, previdenciária e privatizações. Diferente agora é o nível de informação da população. A circulação de notícias é instantânea, mas os boatos também. Necessário se faz o papel político da sociedade. Quem almeja mudança não pode ficar contente com a simples troca presidencial, pois a acomodação fará a história se repetir e as mudanças serão diferentes daquelas vislumbradas no período pré-ruptura.

A coragem que nos falta.

Para realizar nossos desejos muitas vezes temos que nos arriscar. Ocorre que falta a coragem para arriscar, dar aquele insano primeiro passo fora da zona de conforto e assumir, clara e irrevogavelmente, a responsabilidade por nossas atitudes, exige brio e comprometimento intensos. Assim, nesse medo de ver-se no desamparo da solidão que permeia o ser dono de si, oprimimos o desejo. Nomeamos bodes expiatórios: experiências passadas frustradas, dificuldade do mundo, as pessoas complicadas e  geramos nossa dor permanecendo inertes.

Pensamos no resultado de nossas atitudes e optamos pelo resguardo. A racionalidade faz com que imaginemos todos os passos e as jogadas como em um jogo de estratégia em que devemos pensar em todos os movimentos. A dinâmica de racionalizar e calcular os riscos esta presente na relação humana. O que foge aos nossos gênios estratégicos é o reconhecimento de que o campo de batalha não está puramente escancarado na vivencia da vida em sociedade, mas em nosso íntimo. No receio que temos de reviver situações de que imaginamos termos sido vítimas quando fomos, também, nossos próprios carrascos. É ai, nesse enfrentamento necessário de nossa própria feiura, que a coragem refuga.

Quando calamos nossas ideias sob o pretexto de que não nos escutariam; culpamos o ex por não ter nos feito feliz quando, na verdade, nos faltou é coragem para construir a própria felicidade e não depender de ninguém mais para isso; reclamamos daquilo que temos e jogamos a dita culpa nas costas das lendárias “injustiças da vida”, mas nunca movemos solitário dedo na construção de um caminho menos ortodoxo e mais sincero conosco mesmo; entendemos solidão como sinônimo de tristeza e abandono e não como introspecção necessária para nossa própria construção enquanto indivíduos potentes que podem, ao invés de depender de alguém, convidar para que caminhe conosco. De certa maneira, essa racionalização das relações faz com que perdamos a espontaneidade e que cada ato seja ação social à espera da resposta correta. Mas o outro participante da relação não estabelece acordo para dar a resposta correta e passa pelo mesmo dilema de racionalizar e calcular os riscos. Visto que essa espera de resposta é o beijo suave da fantasia que nutrimos (sob a égide de um suposto saber da vontade alheia) e que nos leva a questionar o inquestionável: “Que quer esse outro?”.

O acesso ao mais agridoce daquilo que fundamenta o outro ser não nos é acessível, por ser dele e apenas dele – em uma solidão individual e não necessariamente social-, as chaves para o reino de seu interior, onde bailam seus desejos mais doces e suas perversões mais violentas. Nunca saberemos o que quer o outro por seu saber que não nos pertence. Inclusive, são deveras raras as vezes que sabemos, para nós mesmos, o que é que queremos.

Cabe alterar a atitude: sentir mais coragem e menos receio, ser autêntico e expressar de forma verdadeira a vontade. Cabe a coragem de olhar mais para si que para o outro, de apropriar-se mais das próprias terras devastadas que constituem o reino de nossa psique, onde somos o que somos de fato, ao invés de procurar aquele que trará nas mãos a absolvição de todos os nossos pecados. Coragem de admitir o erro, de aceitar as cicatrizes, de reconhecer-se humano e potencial monstro. De entender que somos vítimas, primeiramente, de nós mesmo e de nossa conduta. Nietzsche dizia que quando olhamos muito tempo para o abismo, ele olha de volta para nós. Quisera ele saber que os nossos abismos somos nós mesmos. Olhar para ele é olhar para si próprio. Portanto, coragem.

Incentivo

 

Todos os dias encaramos tarefas difíceis que exigem superação. Ir além do nosso limite é algo que exige força que às vezes nem sabemos que possuímos e uma capacidade que nunca suspeitamos ter. A vontade de fraquejar durante a tentativa se faz presente, pois o cansaço é implacável, provoca para querer abandonar e encontrar a saída mais fácil. O incentivo de quem está ao nosso lado funciona como força para não desistir fazendo-nos superar a vontade de desistir. Desta maneira, conseguimos ultrapassar a dificuldade daquele momento. Situações como essa são comuns no nosso cotidiano. Transpor os problemas gera vitórias pessoais e possibilita encarar desafios ainda maiores. As palavras que nos são ditas tem força e nos faz crescer. A critica, muitas vezes, é dolorida e pode fazer com que desistamos, mas também pode ser usada para motivar o alcance da meta. Não são todos que estão a nossa volta que irão falar palavras bonitas e motivacionais. Há momentos que precisamos ouvir criticas para manter os “pés” na realidade e não perder o foco. Assim, o que importa é saber absorver as criticas e os elogios de maneira que nos ajude em nossa jornada.

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