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mês

fevereiro 2017

Eu acho, logo estou certo: o embate nas redes sociais.

Eu acho, logo estou certo: o embate nas redes sociais.

As redes sociais são realidade e parte do cotidiano da maioria da população. Nelas há espaço para compartilhamento de ideias, pensamentos, vídeos e o mais diverso tipo de conteúdo. Sua organização repete a dinâmica da sociedade e possibilita agregar membros em grupos, de acordo com seus interesses. Tal movimento é semelhante à organização da sociedade civil e de seus grupos. Essa semelhança pode e deve ser encarada como extensão entre grupos reais da sociedade civil e os grupos de redes sociais, pois, atualmente, suas ações começam a ser gestadas no ambiente virtual.

A relação entre esses grupos perpassa seus membros e alcança a esfera pública. A rede social permite exercer ativismo digital e usar o espaço virtual para a transformação do ambiente real. Ela também viabiliza um sistema democrático, participativo e de consulta à população. Ocorre que há diferença na velocidade da ação entre os ambientes. Na rede, em um simples clique, é possível assinar uma petição ou abaixo-assinado, mas o tempo para ocorrer a transformação real é muito maior.

Esse ambiente remete ao ideal. Uma simples visita a páginas que abordam temas políticos ou questões relativas à cidade demonstra que a realidade é totalmente diferente. Há defesa cega de candidatos ou ideologias por parte de internautas. Ocorre overdose de informação, fazendo com que o indivíduo se torne, progressivamente, menos capaz de efetuar julgamentos de valor adequados. A ampliação da repercussão de boatos e mentiras remete ao antigo “boca a boca”, agora em proporção exponencial devido ao alcance e à velocidade da disseminação da informação.

A democracia permite a liberdade de ideias e opiniões, mas é possível ver uma degradação atual do debate. Palavras duras são usadas e o reposicionamento é algo extremamente raro. Se o filósofo francês René Descartes dizia “Penso, logo existo”, no iluminismo, a internet inaugura o “Eu acho, logo estou certo”. Assim, o debate não parte de princípios ou informações corretas, mas da opinião individual daqueles que não querem pensar, que querem somente atropelar os que divergem da sua forma de pensar, de encarar o mundo ou de seu candidato. O espaço que poderia ser mais uma via de possibilidade da cidadania e da interlocução é pervertido pelo ódio e pela intolerância dos usuários, não cumpre plenamente seu papel como interlocutor com a esfera pública e serve como “muro de lamentação” para muitos.

Refém do pensamento

Refém do pensamento

O nosso pensamento molda a forma como interpretamos a realidade. Durante nossa trajetória, nos deparamos com teorias libertárias, conservadoras, de direita, esquerda, concepções que fazem questionar a nossa própria realidade. Como nos romances, algumas ideias seduzem e fazem acreditar piamente que o mundo que ela apresenta é a nossa utopia a ser alcançada. Deixamos ser levados por ideias antagônicas e exercermos ecletismo, pois do ponto de vista teórico, representa uma incompatibilidade. Formamos uma colcha de retalho com ideias pré-concebidas para que ela se encaixe nos nossos interesses. Chega o momento que amadurecemos e escolhemos ideias para seguir. Assim renunciamos as demais opções. É como o desejo pela liberdade que a vida de solteiro demonstra. O fato de não ter um(a) companheiro(a) que nos “amarre”, limite nossos desejos ou que nos prive da liberdade, faz com que reneguemos oportunidades que um relacionamento pode proporcionar. Impede a construção de uma relação em que cada sujeito seja respeitado, incluindo sua noção de liberdade. A vontade de sentir a liberdade acaba camuflando o medo ou outros sentimentos. O fato é que não há possibilidade de viver tudo plenamente e ao mesmo tempo. Saber o que queremos pode ser tarefa extremamente difícil, porém é necessário coragem para que possamos nos libertar de nossos pensamentos que podem agir como prisões. Nesse contexto, somos prisioneiros de nós mesmos em uma cela que de inicio representou a liberdade.

Você NÃO vai conhecer o homem dos seus sonhos.

Você NÃO vai conhecer o homem dos seus sonhos.

O título do texto é uma referência ao filme de Woody Allen Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010). Aqui não haverá uma sinopse ou análise do filme, mas uma reflexão sobre a idealização que fazemos sobre os parceiros que desejamos ter. A vida, duramente, nos ensina que entre o nosso desejo e a realidade há enorme diferença. Traçamos planos de como será o relacionamento almejado, o que iremos fazer com nosso parceiro e como será cada detalhe. Somos capazes de montar uma lista de requisitos e temos a esperança de encontrar a pessoa que atenda todos nossos anseios. Porém isso não ocorre de forma plena. É prazeroso o ato de sonhar com parceiro ideal e ingênuo também. Nesse processo imaginativo seria como olhar a Lua. Nós só conseguimos ver a parte iluminada pelo sol, mas não conseguimos ver a outra parte, aquela que está obscura. Na montagem do nosso personagem/parceiro a parte iluminada são as qualidades elencadas, mas optamos por não pensar nos defeitos. A utopia pessoal não abre espaço para imperfeições. Mas imaginemos viver ao lado de uma pessoa “perfeita”. Será que essa perfeição não irá incomodar? Um casal necessita viver por todos os momentos: bons, ruins, crises e etc. Cada momento pode representar uma mudança de paradigma e permite que um conheça melhor o outro. Como diria minha bisavó: Se você quer conhecer alguém como dois quilos de sal com ela. Os cardiologistas de plantão podem ficar tranquilos, pois é apenas uma metáfora que remete ao tempo necessário de convivência para maior conhecimento. Mesmo havendo todo esse tempo, há pessoas que conseguem nos surpreender com suas atitudes.  Assim, a nossa construção do personagem que irá entrar em nossa vida e compartilha-la é válida, mas não pode ser a nossa única ferramenta de seleção.

Fio vermelho do destino_ crueldade

Fio vermelho do destino_ crueldade.

Akai Ito ou fio vermelho do destino é uma lenda de origem chinesa e, de acordo com este mito, os deuses amarram uma corda vermelha invisível, no momento do nascimento, nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser alma gêmea. Deste modo, aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar essas duas pessoas que estiverem interligadas fatalmente irão se encontrar!

A lenda acima poderia ser pretexto introdutório para uma divagação sobre relacionamentos, mas o assunto é outro: crueldade. O tema difere da lenda que versa sobre almas gemas, e a utilizo para aproveitar a linha que nos une a diversas outras pessoas que sofrem consequências diretas e indiretas de nossos atos. Desde que nascemos temos ligações com nossos pais, familiares e posteriormente as amizades que cultivamos. Criamos nossas utopias sobre o futuro, porém ocorrem circunstâncias que alteram nossos caminhos, nossa forma de enxergar o mundo e nossos sentimentos. Tornamos-nos pessoas diferentes, secas, duras, insensíveis e egoístas. A falta de sensibilidade e empatia causa a não percepção do reflexo das atitudes que tomamos. A crueldade pode estar nos atos que cometemos, no resultado deles e ela não se restringe a classe social. O filho do empresário pode ser tão ou mais cruel que homem que viveu em situação extrema e escolheu caminho do crime, foi obrigado a não ter escrúpulos para sobreviver e chega ao ponto de falsificar a morte da mãe para conseguir dinheiro. Já o individuo procedente de situação oposta pode não ter a mínima noção e assaltar a empresa da família, prejudicar os negócios e ainda prejudicar todos aquelas outras famílias que estão interligadas. No limite, não há como classificar qual é mais ou menos grave. Os atos são cruéis e torpes. Esses não são únicos casos de crueldade. Há diversos outros casos que vivenciamos e não notamos. Há atos que presenciamos, mas preferimos não intervir e nesses casos a violência é dupla, pois somos cruéis na nossa opção passiva de simplesmente ignorar e seguir com nossa vida.

O inferno são os outros.

O inferno são os outros.

Vivemos em convívio social desde o nosso nascimento, afinal, temos uma origem e os primeiros a conviver conosco são os nossos pais. Crescemos e aprendemos a expressar nossas vontades primeiro com atitudes simples até chegarmos as palavras e frases. A convivência irá nos acompanhar por toda a nossa vida. Não há vida isolada e por mais que ocorra a tentativa de isolamento, chega momento em que a interação social irá ocorrer. Na vida em sociedade regras foram estabelecidas para haver convivência pacifica, mas isso de fato não ocorre. O processo de aceitar opiniões contrárias demonstra a nossa dificuldade em aceitar aquilo que nos é diferente. É fácil aceitar opiniões que são semelhantes e criticar aquelas que diferem da nossa forma de pensar. Acontece que a presença daquele que difere incomoda. Nos é difícil aceitar a opinião, e nesse ponto demonstramos nossa barbárie, pois aceitar as diferenças é sinal de civilidade. A vida em sociedade impõe negociação permanente. Nesse contexto, a frase que da título ao texto demonstra que colocamos a culpa no outro. Mas qual o nosso grau de responsabilidade? Fazendo exercício de lógica: se o inferno são os outros logo somos o inferno de alguém. De fato negamos a compreensão do pensamento do outro ou simplesmente nos julgamos superiores a ponto de não respeitá-lo. A escolha é individual e da mesma maneira que julgamos também seremos julgados. Não cabe aqui fazer discurso piegas sobre respeito a opiniões contrárias. A intenção de fato é rever o posicionamento individual. Há pessoas que nos incomodam, e que a simples presença torna o ambiente desagradável, mas ela sabe como você se sente? Situação análoga não ocorre com você? Será que você torna o ambiente de alguém intragável?

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