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Confiança: exigimos, mas retribuímos?

Confiança: exigimos, mas retribuímos?

 

A confiança, como dizem, é a base para uma boa relação podendo ela ser de amizade, amorosa ou até mesmo uma relação virtual. O dicionário traz a definição: crença na probidade moral, na sinceridade, lealdade, competência, discrição etc. de outrem; crédito, fé; crença de que algo não falhará, de que é bem-feito ou forte o suficiente para cumprir sua função. Acredito que buscamos ela nas relações, pois a segurança ou lealdade, afasta de nós o medo da decepção ou nos ilude com a sensação de que ele está longe de acontecer. Desta maneira, esperamos um padrão de comportamento daquele(a) com quem nos relacionamos. Exigimos de forma subliminar uma postura e coerência nas atitudes tomadas, e quando elas não nos agradam abre-se espaço para cobrança. O ditado popular já diz: pau que bate em Chico, bate em Francisco. Só que nessa relação as nossas atitudes também são confiáveis? Estamos mais atentos olhando para o outro, e muitas vezes, esquecemos das nossas próprias atitudes ou somos tacanhos, e agimos de maneira a manter o foco no outro afim de que não sejamos questionados. Cobrar é muito mais fácil do que ser cobrado, e muitas vezes estabelece uma relação de poder, dominação sob o outro. Falta empatia para se colocar no lugar do outro; falta caráter para compreender que as ações tomadas são violentas; mais fortes até que uma agressão física. Um exercício até certo ponto utópico é trocar de posição. Seria como olhar no espelho, se colocar no lugar da imagem refletida e encarar você mesmo tendo ciências de todas as atitudes. Como você se encararia? Haveria cobrança? Qual seria a sua atitude?

O meu pior inimigo: Eu

O meu pior inimigo: Eu

Vivemos em sociedade; compartilhamos informações pessoais, notícias, fotos e todos os fatos que pensamos ser relevantes. As redes sociais têm o poder de nos fazer sentir contemplado. É estranho pensar como o número de “curtidas”, “likes” pode nos gerar sentimento de prazer. Criamos expectativas com base em posts; queremos ser vistos, notados e comentados. Convivemos em uma era tecnológica, e estamos cada vez mais sós. A internet vai no sentindo oposto, e é através da sensação proporcionada de proximidade com as pessoas que estão conectadas na rede temos o sentimento de realmente não estarmos sozinhos. Podemos nos relacionar com pessoas de regiões nunca antes imaginada. Entretanto, nos apoiamos nessa dinâmica de interação, na velocidade que as coisas acontecem dentro da rede. A vida fora dela segue outro ritmo bem mais lento, e não possui toda a “grandiosidade”.  O sentimento gerado pelo sentimento de pertencimento, por se sentir contemplado pelos amigos da rede, de um grupo que fazemos parte é entorpecente. Sejamos claros, somos hedonistas e estamos constantemente na busca pelo prazer. Ocorre que nessa relação virtual criamos expectativas internas e que estão totalmente dependentes de outras, os quais muitas vezes só estão presentes nas redes, e nem se quer realmente sabemos se são reais. Quando postamos algo na rede, estamos tendo uma ação social em que esperamos a reação do interlocutor virtual. A quebra dessa dinâmica escancara que de fato muitas vezes estamos sós. Buscamos a rede para saciar demandas criadas por nós, e que não podem ser alcançadas. Fica a questão: como na atual sociedade onde a autonomia é exacerbada ainda somos tão dependentes do outro ao ponto de usarmos a rede para não nos sentirmos sozinhos?

-Não corra, Forest. Não corra!

-Não corra, Forest. Não corra!

A nossa trajetória é marcada pela busca. Desde os primeiros dias de nossas vidas as metas já fazem parte de nossa vida social, e nesse momento os objetivos são levados por nossos pais. O início é a busca pelos primeiros passos, depois as primeiras palavras e assim por diante. Sempre estamos correndo atrás de algo, e depois que chegamos ao nosso objetivo focamos em outro mais distante ainda. Ocorre que hoje mantemos esse padrão de comportamento, mas agora os objetivos a serem alcançados são bens materiais supérfluos e que nos encantam com o seu fetiche. Acreditamos piamente que ao atingir determinada meta encontraremos a felicidade plena, que comprar determinado item será o nosso Emplasto Brás Cubas resolvendo todas as nossas mazelas trazendo com ele a felicidade plena. O sabor da conquista é totalmente compreensivo, mas ao depositarmos toda nossa energia no resultado final nos esquecemos do processo que antecede. É o caso do atleta que fica pensando em como será desempenho em uma prova que tem grande importância para si. Ele sonhou com aquele momento, imagina-se na prova, e esquece que para ocorrer tudo o que deseja é necessário treinar (processo) dia após dia para só depois realizar seus anseios na participação da prova (resultado). O fim é resultado do empenho e dedicação durante o processo. Entretanto, é natural do nosso comportamento nessa sociedade contemporânea a busca pelo rápido resultado, e esse comportamento efêmero permeia todo o nosso comportamento humano. Temos a gana da rápida ascensão no mundo do trabalho; achamos que dedicar quatro anos para uma graduação é tempo demais; queremos tudo para ontem e não nos damos conta que não conseguimos aproveitar nossas próprias ações por conta do ritmo que seguimos e que não questionamos. Afinal, qual a necessidade de termos tanta pressa?

Alienação.

Alienação.

alienação

A alienação tem por significado o processo em que a consciência se torna estranha a si mesma, afastada de sua real natureza. Deixar de ser alienado pode fazer com que questionemos a nossa realidade, nos faz ter a práxis, no sentido marxista de unir teoria e prática para mudar o mundo, alterar a nossa realidade. Entretanto é cada vez mais complicado o processo de reflexão, pois somos dragados por uma lógica que domina a nossa vida. Nem bem abrimos os olhos ao despertar e nossa mente já está nos lembrando dos compromissos que temos, nossas responsabilidades, nossos objetivos e metas que nós mesmos colocamos, mas que não paramos para pensar qual é o real efeito deles, e se realmente nos faz bem. A lógica nos obriga a sermos empreendedores de nossas vidas, e afim de que tenhamos as condições materiais para comprar temos que trabalhar, estudar e progredir e se não conseguimos a culpa é individual. Desta maneira agimos com um olhar único, uma visão que nos cega. É como o antolho (viseira) de um cavalo que o obriga a olhar somente para a direção daquele que está em seu lombo, e o ordena através de chamados com uma violência simbólica ou através do chicote com a violência física. Refletir e questionar a ordem tem seu preço, pois o sistema automaticamente excluí quem pensa diferente, e como diria Bauman, a sociedade de consumo entrega aquilo que promete. Estranho pensar isso, mas as redes sociais e seus grupos servem para mostrar como o interesse comum de determinado assunto serve para aglutinar aqueles de opinião próxima e afastar outros que divergem da opinião do grupo. Reproduzimos essa lógica nas nossas microrrelações e não notamos. A sociedade cada vez mais segmentada, que nos da ilusão de pertencimento a determinado grupo homogêneo de pensamento gera uma atitude de autoproteção do grupo, proteção da “matilha”. Assim praticamos atitudes sem as quais realmente paramos para pensar se concordamos, mas o nosso desejo de sentir contemplado, incluído em um grupo é muito maior. Não é simples pensar diferente. Será que é melhor não pensar e ficar com o sentimento de “identidade” que a nossa sociedade calcada no consumo oferece?

Os bares estão cheios de almas tão vazias.

Os bares estão cheios de almas tão vazias.

A frase é retirada da música “Não existe em amor em SP” do cantor Criolo, e uso esse trecho para refletir sobre o que fazemos a noite. Para que saímos à noite? Sabemos realmente o que queremos? Sair à noite, de dia ou fim de tarde, não importa a hora, gostamos de nos divertir. É algo inato ao ser humano. Somos hedonistas em nossa essência. Entretanto, qual o sentido da busca pelo prazer? Será que realmente estamos buscando algo prazeroso ou é uma fuga de problemas mais variados e que nem percebemos como eles nos afetam? Cada um tem seu próprio comportamento, moral e valores, assim agindo de maneira própria. Mas como o título sugere o ambiente a ser refletido é o bar. Aquele que vamos como os amigos e amigas, aquele que vamos à busca de conhecer alguém de maneira informal, aquele que vamos só pelo simples fatos de já não estarmos mais dentro de casa, pois ficar em casa pode ser um enorme tédio. Repetimos a ação de forma tão automática que nem nos damos realmente conta do que estamos fazendo, mas a certeza que temos é que procuramos algo prazeroso e de forma rápida. Porém qual o benefício desse prazer? Será que ele não é mais uma droga social a qual buscamos seu efeito a todo o momento?

Você vai. As marcas ficam.

Você vai. As marcas ficam.

Relacionamos-nos diariamente com pessoas de forma real ou virtual. Algumas criamos vínculos, sentimentos e trocamos experiências. Mas nem sempre as relações são duradouras. Na era das relações efêmeras, quando pensamos que será duradouro, a vida nos prega uma peça e o destino nos separam daquela pessoa que estamos gestando um sentimento. Mas a distancia e até mesmo a falta de contato não apaga a marca que ela deixou. E nesse ponto é que sofremos, pois se a marca é boa sofremos pela saudade, relembramos da pessoa em situações do dia a dia, stalkeamos as redes sociais na busca por uma notícia, foto ou algo que possa saciar a nossa vontade. Se a marca é ruim sofremos por relembrar do trauma, podemos ficar remoendo, relembrando momentos, pensando em “n” possibilidades daquilo que poderia ser diferente e no fundo só estamos causando a nossa dor. Somos torturados em um trabalho conjunto da mente que traz à tona as lembranças e pelo coração que a cada lembrança nos faz sentir novamente o sentimento por alguém que não temos mais. Não somos somente vitimas nessa relação, também somos capazes de deixar marcas. Cada um lida com sua própria dor, e cada um tem o direito de se achar “o maior sofredor do mundo”.

Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.

Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.

A frase que dá título ao texto é oriunda da música Era uma vez da cantora brasileira Kell Smith. Ouvindo a música essa frase chamou a atenção, e fez refletir sobre a infância e a vida adulta. Não importa a idade, a dor está presente. Entretanto, na infância sentimos a dor física de um joelho ralado, de um dedo do pé machucado ao tentar chutar a bola na casa da vizinha descalço ou por um brinquedo quebrado, uma pipa perdida. Naquele momento a dor física se mostra pesada, capaz de arrancar lágrimas e berros. Quando crescemos e conhecemos outros sentimentos, nos deparamos com a dor subjetiva. O conflito de interesses, relacionamentos, discussões e violências simbólicas passam a serem sentidos. Crescemos, deixamos de ser crianças, enfrentamos o mundo do trabalho e continuamos convivendo com a dor. No convívio social somos capazes de sofrer e também de magoar profundamente. As nossas atitudes podem ser muito mais doloridas do que joelho ralado. A nossa forma de agir, por mais racional que seja, é capaz de ferir os outros e a nós mesmos, mas nem sempre percebemos. Nos enchemos de soberba para justificar nossa atitude e desqualificar a ação dos outros. No fundo, a nossa ação busca a autoproteção no sentido de evitar a dor. Mantemos comportamento hedonista e egoísta tentando satisfazer nossos anseios. Somos adultos fortes fisicamente, mas fracos emocionalmente e que sentem mais dores do que quando éramos crianças.

Link para a música no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=xJNKT9HAXRc

Tempo de plantar

O sonho e a sua realização são etapas distintas na vida. Para alcançá-lo é necessário planejamento e trabalho árduo. Há momentos que se deve trabalhar duro sem imediatismo. Parecido com esse processo é a construção de uma casa. Para obter o resultado desejado de uma casa sólida, capaz de aguentar as intempéries do clima é necessário fazer alicerce firme, forte e com tenacidade de suportar os desafios que virão. A base da casa pode ser comparada com o trabalho que precede o sonho na vida. Para obtê-lo é necessário fazer esforço que não será visto, sem resultado de imediato, mas que em longo prazo será a base para a conquista da aspiração. O trabalho mal feito, fraco resultará em fracasso. Na casa a base fraca representará um perigo para seus moradores, pois ela não estará apta a proteger seus residentes. Na vida o estrago pode ser ainda maior, pois significará o fracasso, a desilusão. Lidar com a quebra de expectativa é difícil, doloroso e traumático, mas quando há base e a certeza de solidez fica facilitado o caminho e torna a realização próxima.

Amizade

Amizade.

O laço afetivo está presente desde o dia em que nascemos. Somos convidados à interação social pelos nossos pais, e apresentados a diversas pessoas antes mesmo que pudéssemos balbuciar as primeiras palavras. A interação, no inicio, é através da expressão facial e do choro. Além do envolvimento com outros adultos somos apresentados a outros bebês. Desde o começo eles são classificados como “amiguinhos”. Os primeiros amigos iniciam vínculo por conta da vontade paterna. No decorrer da vida continuamos a praticar a aproximação social, mas dessa vez está presente a nossa vontade. O interesse guia as relações humanas. É através dele que a aproximação gera amizade, e as experiências compartilhadas nutrem o vínculo. Ocorre que, ao longo da vida acabamos mudando de escola, indo para universidade, mudando de bairro ou até mesmo de cidade. A cada nova mudança ocorre distanciamento dos amigos, mas as conexões verdadeiras continuam independentes da distância ou tempo sem ver um ao outro. Em nossa jornada é um processo natural e cíclico, pois a cada mudança temos a oportunidade de conhecer novas pessoas, criar novos vínculos. O importante é saber lidar com as mudanças e o sentimento de que os vínculos firmados servem para construir a nossa história e deixar a marca dos amigos em nós.

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