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Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.

Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.

A frase que dá título ao texto é oriunda da música Era uma vez da cantora brasileira Kell Smith. Ouvindo a música essa frase chamou a atenção, e fez refletir sobre a infância e a vida adulta. Não importa a idade, a dor está presente. Entretanto, na infância sentimos a dor física de um joelho ralado, de um dedo do pé machucado ao tentar chutar a bola na casa da vizinha descalço ou por um brinquedo quebrado, uma pipa perdida. Naquele momento a dor física se mostra pesada, capaz de arrancar lágrimas e berros. Quando crescemos e conhecemos outros sentimentos, nos deparamos com a dor subjetiva. O conflito de interesses, relacionamentos, discussões e violências simbólicas passam a serem sentidos. Crescemos, deixamos de ser crianças, enfrentamos o mundo do trabalho e continuamos convivendo com a dor. No convívio social somos capazes de sofrer e também de magoar profundamente. As nossas atitudes podem ser muito mais doloridas do que joelho ralado. A nossa forma de agir, por mais racional que seja, é capaz de ferir os outros e a nós mesmos, mas nem sempre percebemos. Nos enchemos de soberba para justificar nossa atitude e desqualificar a ação dos outros. No fundo, a nossa ação busca a autoproteção no sentido de evitar a dor. Mantemos comportamento hedonista e egoísta tentando satisfazer nossos anseios. Somos adultos fortes fisicamente, mas fracos emocionalmente e que sentem mais dores do que quando éramos crianças.

Link para a música no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=xJNKT9HAXRc

“O homem mais sábio que já conheci em toda a minha não sabia ler nem escrever”.

A frase acima é do escritor português, José Saramago, pronunciada ao receber o Nobel de literatura em 1998. O homem mais sábio que Saramago se refere é seu avô, o qual, durante sua vida, o ensinou através do conhecimento apreendido. Em nossa vida é comum encontrarmos diversos exemplos como o de Saramago. Deparamos com pessoas com pouquíssima instrução e dotados de uma sabedoria enorme. A vida tem a capacidade de ensinar uma lição nova a cada momento, entretanto nos fechamos para elas. Saber ler, ter vasto conhecimento ou ser dotado de uma imensa inteligência não é sinal de sabedoria. A sabedoria vai além da reprodução de informações, ela é o real aprendizado e assimilação das matérias da vida. É saber transmitir conhecimento e experiências através de simples gestos ou palavras. Assim, sabedoria e inteligência são coisas distintas e muitas vezes não se encontram juntas. Humildade e sensibilidade são necessárias para notar pessoas que estão ao nosso redor que são dotadas de enorme sabedoria, e em uma simples conversa podem nos ensinar muito mais do que aqueles que são dotados de diplomas e saberes acadêmicos.

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