Busca

Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

Tag

futuro

As crianças são legais, mas as “estragamos”!

As crianças são legais, mas as “estragamos”!

Todos já fomos crianças. Chegamos ao mundo desprovidos de valores morais. Não sabíamos o que era certo ou errado, bonito ou feio. A convivência com outras pessoas mais velhas serviu para que elas transmitissem seus valores, e nós ávidos por informação prestávamos atenção em tudo! Até naquilo que o adulto não desejava que estivéssemos atentos. A educação em nosso ambiente social é carregada de valores. Reproduzimos os princípios familiares, os valores que aprendemos na escola e até o que nos chega no convívio com outras crianças. Para as crianças tudo é novidade, e há o gosto primitivo em aprender algo novo, sobretudo quando nos relacionamos com alguém que temos uma admiração. Prestamos atenção compenetrados, nossos “olhinhos” brilham, e logo em seguida estamos reproduzindo aquilo que conseguimos captar. Nesse processo é que entra o “vilão”, ou, aquele que foi vítima primeira, e que agora está ocupando o papel de pai, mãe, tios, dindos e etc. Levamos conceitos prontos, impomos valores que são como camisas de forças para as crianças. Fazemos isso nas mais diversas situações. A criança quando faz um desenho não sabe classifica-lo se é bonito ou feio, mas ao ver alguém o classifica-lo ela irá reproduzir a ação. Inserimos ideias que são “primitivas” e que irão se desenvolver ao longo da vida da pessoa. Muitos reclamam dizendo: aquela criança é chata! Entretanto, é ela que é “chata” ou os adultos a sua volta é que são os chatos? Parece um círculo vicioso e perverso, pois a criança de hoje será o adulto de amanhã que terá desenvolvido os conceitos, hábitos e valores, além de incorporar outras práticas que são características de nossa sociedade atual. Nesse processo endógeno vemos percebemos o enraizamento de valores sociais carregados de significados mesmo que nossa sociedade tente se portar de forma diferente. A prática difere do discurso proferido. Fazemos com que a criança incorpore cada vez mais cedo elementos da sociedade de consumo, a tratamos como adulto enquanto ainda são crianças, e as empurramos essa responsabilidade que não são delas, mas são nossas.

Déjà vu da vida.

Déjà vu da vida.

Muitos dizem que a história se repete; que ela é como uma espiral de caderno contendo pontos de intersecção; ou como Karl Marx disse: A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Certo é que podemos perceber em nossas vidas diversos momentos que temos a nítida sensação já ter passado por aquele momento. O nosso Déjà vu seria praticamente constante. Nietzsche, filosofo alemão desenvolveu o conceito chamado de Eterno Retorno. Na sua ideia, é como se a história se repetisse seguidamente, como o que hoje é conhecido como looping. Vivenciamos situações repetidas vezes e não nos damos conta. Vivenciamos situações em que trocamos de lado, e não paramos para refletir. É como a mulher que casa, e gera aquele sentimento na sogra de ter o filho roubado. Anos depois a história irá se repetir, mas dessa vez, a esposa estará no papel da sogra e poderá ter o mesmo sentimento que sua sogra teve anos atrás. De fato, a história se repete, mas as nossas posições não são as mesmas. Muitos dizem que devemos aprender com a vida (eu me incluo nesse hall), mas como diz Milan Kundera em A Insustentável Leveza do Ser é difícil aprender pois só se vive uma vez. Mesmo assim, a questão ainda permanece: Como aprender? Como ter a sensibilidade de perceber as sutilezas de cada situação? Qual seria o sentido na busca desse aprendizado? Eliminar erros pode significar talhar a liberdade, pois podemos estar predestinados ao “erro”. Qual o mal em “errar”?

-Não corra, Forest. Não corra!

-Não corra, Forest. Não corra!

A nossa trajetória é marcada pela busca. Desde os primeiros dias de nossas vidas as metas já fazem parte de nossa vida social, e nesse momento os objetivos são levados por nossos pais. O início é a busca pelos primeiros passos, depois as primeiras palavras e assim por diante. Sempre estamos correndo atrás de algo, e depois que chegamos ao nosso objetivo focamos em outro mais distante ainda. Ocorre que hoje mantemos esse padrão de comportamento, mas agora os objetivos a serem alcançados são bens materiais supérfluos e que nos encantam com o seu fetiche. Acreditamos piamente que ao atingir determinada meta encontraremos a felicidade plena, que comprar determinado item será o nosso Emplasto Brás Cubas resolvendo todas as nossas mazelas trazendo com ele a felicidade plena. O sabor da conquista é totalmente compreensivo, mas ao depositarmos toda nossa energia no resultado final nos esquecemos do processo que antecede. É o caso do atleta que fica pensando em como será desempenho em uma prova que tem grande importância para si. Ele sonhou com aquele momento, imagina-se na prova, e esquece que para ocorrer tudo o que deseja é necessário treinar (processo) dia após dia para só depois realizar seus anseios na participação da prova (resultado). O fim é resultado do empenho e dedicação durante o processo. Entretanto, é natural do nosso comportamento nessa sociedade contemporânea a busca pelo rápido resultado, e esse comportamento efêmero permeia todo o nosso comportamento humano. Temos a gana da rápida ascensão no mundo do trabalho; achamos que dedicar quatro anos para uma graduação é tempo demais; queremos tudo para ontem e não nos damos conta que não conseguimos aproveitar nossas próprias ações por conta do ritmo que seguimos e que não questionamos. Afinal, qual a necessidade de termos tanta pressa?

Alienação.

Alienação.

alienação

A alienação tem por significado o processo em que a consciência se torna estranha a si mesma, afastada de sua real natureza. Deixar de ser alienado pode fazer com que questionemos a nossa realidade, nos faz ter a práxis, no sentido marxista de unir teoria e prática para mudar o mundo, alterar a nossa realidade. Entretanto é cada vez mais complicado o processo de reflexão, pois somos dragados por uma lógica que domina a nossa vida. Nem bem abrimos os olhos ao despertar e nossa mente já está nos lembrando dos compromissos que temos, nossas responsabilidades, nossos objetivos e metas que nós mesmos colocamos, mas que não paramos para pensar qual é o real efeito deles, e se realmente nos faz bem. A lógica nos obriga a sermos empreendedores de nossas vidas, e afim de que tenhamos as condições materiais para comprar temos que trabalhar, estudar e progredir e se não conseguimos a culpa é individual. Desta maneira agimos com um olhar único, uma visão que nos cega. É como o antolho (viseira) de um cavalo que o obriga a olhar somente para a direção daquele que está em seu lombo, e o ordena através de chamados com uma violência simbólica ou através do chicote com a violência física. Refletir e questionar a ordem tem seu preço, pois o sistema automaticamente excluí quem pensa diferente, e como diria Bauman, a sociedade de consumo entrega aquilo que promete. Estranho pensar isso, mas as redes sociais e seus grupos servem para mostrar como o interesse comum de determinado assunto serve para aglutinar aqueles de opinião próxima e afastar outros que divergem da opinião do grupo. Reproduzimos essa lógica nas nossas microrrelações e não notamos. A sociedade cada vez mais segmentada, que nos da ilusão de pertencimento a determinado grupo homogêneo de pensamento gera uma atitude de autoproteção do grupo, proteção da “matilha”. Assim praticamos atitudes sem as quais realmente paramos para pensar se concordamos, mas o nosso desejo de sentir contemplado, incluído em um grupo é muito maior. Não é simples pensar diferente. Será que é melhor não pensar e ficar com o sentimento de “identidade” que a nossa sociedade calcada no consumo oferece?

Eduardo e Monica

Eduardo e Monica

O título do texto remete a música do Legião Urbana. Apesar de não ser fã da banda, a letra me fez pensar que seria um bom tema a ser refletido, e suscitou uma questão: o que é necessário para estar junto de alguém? Para além das relações efêmeras e consumíveis da modernidade, ainda buscamos, no fundo, uma relação duradoura. Na tentativa de sermos racionais idealizamos o parceiro, quais deveriam ser os gostos, os tipos de filmes que eles iriam gostar e etc. No fundo, quando pensamos no parceiro de forma racional, estamos pensando em nós e de forma egoísta. A nossa idealização desrespeita o outro. A letra da música narra a história de dois personagens distintos, mas que após conversarem em uma festa estranha com gente esquisita, trocam telefone e sentem a vontade de se ver. O sentimento surgiu entre eles e foi nutrido por ambos. A relação vingou, eles tiveram futuro juntos, casados e com filhos. Renato Russo ainda deixa duas questões:

E quem um dia irá dizer

Que existe razão

Nas coisas feitas pelo coração?

E quem irá dizer

Que não existe razão?

A busca por essa resposta talvez seja algo utópico, e também desnecessário. O sentimento pode ser como aquela flor que brota na fissura do asfalto conseguindo vencer todas as adversidades a sua volta. Pode ser que pensar demais, problematizar impeça de vivenciar experiências, de dar chance ao sentimento surgir. O que encanta Eduardo a Monica e vice versa, não é a beleza, mas a conversa, o diferente aos olhos de cada um. Mais do que encontrar alguém que se assemelhe a nós, a música mostra como eles foram capazes de mostrar um mundo completamente novo, encantador. Havendo a união entre eles, mesmo assim, cada um fez a sua história, conquistou seus objetivos e juntos compartilharam as glorias e as dores.

O vidente em causa própria.

O vidente em causa própria.

O vidente é aquele que faz diversas previsões. Nós também fazemos o mesmo cotidianamente, e em nossas reflexões sobre a vida alheia sentenciamos o futuro, assim como Nostradamus o fazia. Mas nossas “previsões”, palpites sobre a vida de outrem não é registrada. Às vezes compartilhamos com aquele(a) que está ao nosso lado em uma conversa informal. Somos capazes de definir o futuro de casais a primeira vista. Estranho esse nosso “poder”, pois, aquele que está do lado de fora da relação nunca sabe de fato o que ocorre entre o casal. Porém, a intenção desse texto não está debruçada sob terceiros. A ideia é refletir sobre as nossas atitudes em nossos relacionamentos. Se no relacionamento de terceiros conseguimos julgar de forma sumária. Qual o nosso comportamento frente às relações que vivemos? A relação na modernidade é cada vez mais efêmera e segue a dinâmica de um produto em que compramos, usamos e depois descartamos. Mas quando iniciamos a relação não deveríamos ter em nossa mente a intenção de ser algo duradouro? Não somos capazes exercer a função de “videntes” e prever o destino das relações que vivemos? Suponha que você conheça alguém, e que logo de imediato tal pessoa complete suas expectativas, se mostre uma pessoa encantadora e lhe traga à mente a questão: como pude viver tanto tempo sem ele(a)? Entretanto, a sua “previsão” é de que a relação não será duradoura, que um acabará machucando o outro e que no final o “conto de fadas” se torna em um conto dos irmãos Grimm. Qual a sua reação? Teria coragem hercúlea de terminar tudo, aguentar a dor e seguir seu caminho? Encararia a relação com seus momentos bons, ruins e viveria na plenitude tudo o que a relação pode proporcionar tanto a dor quanto o amor? Para apimentar a questão, no momento da revelação do destino, seria aquele momento em que nos percebemos realmente envolvidos. Aquele momento em que você sente um vazio quando a pessoa não está ao seu lado, que o dia sem receber suas mensagens tem as horas passadas “lentamente” e que ao tempo ao lado dela passe voando. Nessa situação, qual seria sua atitude?

Amizade

Amizade.

O laço afetivo está presente desde o dia em que nascemos. Somos convidados à interação social pelos nossos pais, e apresentados a diversas pessoas antes mesmo que pudéssemos balbuciar as primeiras palavras. A interação, no inicio, é através da expressão facial e do choro. Além do envolvimento com outros adultos somos apresentados a outros bebês. Desde o começo eles são classificados como “amiguinhos”. Os primeiros amigos iniciam vínculo por conta da vontade paterna. No decorrer da vida continuamos a praticar a aproximação social, mas dessa vez está presente a nossa vontade. O interesse guia as relações humanas. É através dele que a aproximação gera amizade, e as experiências compartilhadas nutrem o vínculo. Ocorre que, ao longo da vida acabamos mudando de escola, indo para universidade, mudando de bairro ou até mesmo de cidade. A cada nova mudança ocorre distanciamento dos amigos, mas as conexões verdadeiras continuam independentes da distância ou tempo sem ver um ao outro. Em nossa jornada é um processo natural e cíclico, pois a cada mudança temos a oportunidade de conhecer novas pessoas, criar novos vínculos. O importante é saber lidar com as mudanças e o sentimento de que os vínculos firmados servem para construir a nossa história e deixar a marca dos amigos em nós.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: