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As crianças são legais, mas as “estragamos”!

As crianças são legais, mas as “estragamos”!

Todos já fomos crianças. Chegamos ao mundo desprovidos de valores morais. Não sabíamos o que era certo ou errado, bonito ou feio. A convivência com outras pessoas mais velhas serviu para que elas transmitissem seus valores, e nós ávidos por informação prestávamos atenção em tudo! Até naquilo que o adulto não desejava que estivéssemos atentos. A educação em nosso ambiente social é carregada de valores. Reproduzimos os princípios familiares, os valores que aprendemos na escola e até o que nos chega no convívio com outras crianças. Para as crianças tudo é novidade, e há o gosto primitivo em aprender algo novo, sobretudo quando nos relacionamos com alguém que temos uma admiração. Prestamos atenção compenetrados, nossos “olhinhos” brilham, e logo em seguida estamos reproduzindo aquilo que conseguimos captar. Nesse processo é que entra o “vilão”, ou, aquele que foi vítima primeira, e que agora está ocupando o papel de pai, mãe, tios, dindos e etc. Levamos conceitos prontos, impomos valores que são como camisas de forças para as crianças. Fazemos isso nas mais diversas situações. A criança quando faz um desenho não sabe classifica-lo se é bonito ou feio, mas ao ver alguém o classifica-lo ela irá reproduzir a ação. Inserimos ideias que são “primitivas” e que irão se desenvolver ao longo da vida da pessoa. Muitos reclamam dizendo: aquela criança é chata! Entretanto, é ela que é “chata” ou os adultos a sua volta é que são os chatos? Parece um círculo vicioso e perverso, pois a criança de hoje será o adulto de amanhã que terá desenvolvido os conceitos, hábitos e valores, além de incorporar outras práticas que são características de nossa sociedade atual. Nesse processo endógeno vemos percebemos o enraizamento de valores sociais carregados de significados mesmo que nossa sociedade tente se portar de forma diferente. A prática difere do discurso proferido. Fazemos com que a criança incorpore cada vez mais cedo elementos da sociedade de consumo, a tratamos como adulto enquanto ainda são crianças, e as empurramos essa responsabilidade que não são delas, mas são nossas.

Confiança: exigimos, mas retribuímos?

Confiança: exigimos, mas retribuímos?

 

A confiança, como dizem, é a base para uma boa relação podendo ela ser de amizade, amorosa ou até mesmo uma relação virtual. O dicionário traz a definição: crença na probidade moral, na sinceridade, lealdade, competência, discrição etc. de outrem; crédito, fé; crença de que algo não falhará, de que é bem-feito ou forte o suficiente para cumprir sua função. Acredito que buscamos ela nas relações, pois a segurança ou lealdade, afasta de nós o medo da decepção ou nos ilude com a sensação de que ele está longe de acontecer. Desta maneira, esperamos um padrão de comportamento daquele(a) com quem nos relacionamos. Exigimos de forma subliminar uma postura e coerência nas atitudes tomadas, e quando elas não nos agradam abre-se espaço para cobrança. O ditado popular já diz: pau que bate em Chico, bate em Francisco. Só que nessa relação as nossas atitudes também são confiáveis? Estamos mais atentos olhando para o outro, e muitas vezes, esquecemos das nossas próprias atitudes ou somos tacanhos, e agimos de maneira a manter o foco no outro afim de que não sejamos questionados. Cobrar é muito mais fácil do que ser cobrado, e muitas vezes estabelece uma relação de poder, dominação sob o outro. Falta empatia para se colocar no lugar do outro; falta caráter para compreender que as ações tomadas são violentas; mais fortes até que uma agressão física. Um exercício até certo ponto utópico é trocar de posição. Seria como olhar no espelho, se colocar no lugar da imagem refletida e encarar você mesmo tendo ciências de todas as atitudes. Como você se encararia? Haveria cobrança? Qual seria a sua atitude?

Para além do bem e do mal

O ano de 2018 reserva para a população brasileira mais um pleito, porém, ele difere dos já ocorridos em toda a nossa história. O fluxo de informações que ocorre hoje nunca foi visto: as notícias chegam minuto a minuto e, com elas, os boatos. O mundo político sofre com a descrença provocada por seus personagens que, ao longo dos anos, tratam o bem público como empresa particular ou até mesmo como uma “galinha dos ovos de ouro”.

Os candidatos há tempos iniciaram suas ações para movimentar a base de apoiadores, mas ainda chegará o momento do confronto de ideias. A sociedade brasileira está machucada com os acontecimentos dos últimos anos; as manchetes dos meios de comunicação trouxeram muitas notícias de corrupção, redução do tamanho da economia e práticas da classe política em causa própria. Os fatores são somados com a realidade. O poder de compra foi reduzido, os salários foram, muitas vezes, diminuídos em prol da manutenção de cargos e o pensamento de que “é melhor se sujeitar a isso do que estar sem emprego” está presente em todas as camadas da população, que sofre com os choques na economia provocados pelos atos (de) políticos.

A próxima eleição não deverá ser como as anteriores e há uma série de fatores para justificar isso. É preciso pensar além da polarização eleitoral que já foi criada há alguns anos; é necessário ir além de ataques de seguidores de “mitos” ou políticos messiânicos que se colocam como a solução, mas que não apresentam propostas para a nação. Destruir é mais fácil do que construir.

Os debates serão espaços para o confronto de ideias e o (e)leitor deve, a todo momento, pontuar aquilo que deseja. No limite, o cidadão deseja um país melhor, com qualidade de vida, sem a perda de direitos sociais, capacidade de adquirir bens de consumo e qualidade na educação. Seria utópico desejar que os debates dessa eleição fugissem da rotina de ataques pessoais e partissem para a proposição de ideias realmente exequíveis? O que se faz de mais necessário em momento de crise é a oportunidade de novas ideias. As que já foram apresentadas mostram-se esgotadas e é necessário articulá-las com a realidade que está posta, desta maneira, fugindo do estelionato eleitoral. A conquista do voto deveria ser resultado de um projeto de nação feito pelo candidato e não de uma escolha do eleitor pelo “menos pior”.

-Não corra, Forest. Não corra!

-Não corra, Forest. Não corra!

A nossa trajetória é marcada pela busca. Desde os primeiros dias de nossas vidas as metas já fazem parte de nossa vida social, e nesse momento os objetivos são levados por nossos pais. O início é a busca pelos primeiros passos, depois as primeiras palavras e assim por diante. Sempre estamos correndo atrás de algo, e depois que chegamos ao nosso objetivo focamos em outro mais distante ainda. Ocorre que hoje mantemos esse padrão de comportamento, mas agora os objetivos a serem alcançados são bens materiais supérfluos e que nos encantam com o seu fetiche. Acreditamos piamente que ao atingir determinada meta encontraremos a felicidade plena, que comprar determinado item será o nosso Emplasto Brás Cubas resolvendo todas as nossas mazelas trazendo com ele a felicidade plena. O sabor da conquista é totalmente compreensivo, mas ao depositarmos toda nossa energia no resultado final nos esquecemos do processo que antecede. É o caso do atleta que fica pensando em como será desempenho em uma prova que tem grande importância para si. Ele sonhou com aquele momento, imagina-se na prova, e esquece que para ocorrer tudo o que deseja é necessário treinar (processo) dia após dia para só depois realizar seus anseios na participação da prova (resultado). O fim é resultado do empenho e dedicação durante o processo. Entretanto, é natural do nosso comportamento nessa sociedade contemporânea a busca pelo rápido resultado, e esse comportamento efêmero permeia todo o nosso comportamento humano. Temos a gana da rápida ascensão no mundo do trabalho; achamos que dedicar quatro anos para uma graduação é tempo demais; queremos tudo para ontem e não nos damos conta que não conseguimos aproveitar nossas próprias ações por conta do ritmo que seguimos e que não questionamos. Afinal, qual a necessidade de termos tanta pressa?

Alienação.

Alienação.

alienação

A alienação tem por significado o processo em que a consciência se torna estranha a si mesma, afastada de sua real natureza. Deixar de ser alienado pode fazer com que questionemos a nossa realidade, nos faz ter a práxis, no sentido marxista de unir teoria e prática para mudar o mundo, alterar a nossa realidade. Entretanto é cada vez mais complicado o processo de reflexão, pois somos dragados por uma lógica que domina a nossa vida. Nem bem abrimos os olhos ao despertar e nossa mente já está nos lembrando dos compromissos que temos, nossas responsabilidades, nossos objetivos e metas que nós mesmos colocamos, mas que não paramos para pensar qual é o real efeito deles, e se realmente nos faz bem. A lógica nos obriga a sermos empreendedores de nossas vidas, e afim de que tenhamos as condições materiais para comprar temos que trabalhar, estudar e progredir e se não conseguimos a culpa é individual. Desta maneira agimos com um olhar único, uma visão que nos cega. É como o antolho (viseira) de um cavalo que o obriga a olhar somente para a direção daquele que está em seu lombo, e o ordena através de chamados com uma violência simbólica ou através do chicote com a violência física. Refletir e questionar a ordem tem seu preço, pois o sistema automaticamente excluí quem pensa diferente, e como diria Bauman, a sociedade de consumo entrega aquilo que promete. Estranho pensar isso, mas as redes sociais e seus grupos servem para mostrar como o interesse comum de determinado assunto serve para aglutinar aqueles de opinião próxima e afastar outros que divergem da opinião do grupo. Reproduzimos essa lógica nas nossas microrrelações e não notamos. A sociedade cada vez mais segmentada, que nos da ilusão de pertencimento a determinado grupo homogêneo de pensamento gera uma atitude de autoproteção do grupo, proteção da “matilha”. Assim praticamos atitudes sem as quais realmente paramos para pensar se concordamos, mas o nosso desejo de sentir contemplado, incluído em um grupo é muito maior. Não é simples pensar diferente. Será que é melhor não pensar e ficar com o sentimento de “identidade” que a nossa sociedade calcada no consumo oferece?

Bloco do Eu sozinho.

Bloco do Eu sozinho.

 

A autonomia que segundo o dicionário é a capacidade de se autogovernar, ou ainda, de acordo com Kant (1724-1804) é a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível. Ela é um traço característico e que buscamos ao longo de nossa jornada. Desde pequenos tentamos ser autônomos. Já quando éramos crianças demos os primeiros passos em direção a autonomia tentando fazer algo sozinho ou tendo a audácia de dispensar a ajuda de um adulto, mesmo nós sendo aqueles que até pouco tempo atrás ainda estávamos nos locomovendo em quatro apoios. Crescemos e continuamos desenvolvendo dentro desse processo. Eu até hoje penso que não posso depender de alguém, que devo ter minha própria capacidade de realizar aquilo que desejo. Mas qual o sentido dessa autonomia? Vivemos nessa sociedade liquida que sabe cada vez menos lidar com as frustrações, que calca seu prazer no consumo de bens materiais e subjetivos como as relações afetivas, que descarta amizades com um simples clique fazendo com que o virtual influa no real. Assim, estamos virando um grande bloco de “Eu(s)” sozinho(s) conectado através de celulares e escondendo nossas frustrações?

Você vai. As marcas ficam.

Você vai. As marcas ficam.

Relacionamos-nos diariamente com pessoas de forma real ou virtual. Algumas criamos vínculos, sentimentos e trocamos experiências. Mas nem sempre as relações são duradouras. Na era das relações efêmeras, quando pensamos que será duradouro, a vida nos prega uma peça e o destino nos separam daquela pessoa que estamos gestando um sentimento. Mas a distancia e até mesmo a falta de contato não apaga a marca que ela deixou. E nesse ponto é que sofremos, pois se a marca é boa sofremos pela saudade, relembramos da pessoa em situações do dia a dia, stalkeamos as redes sociais na busca por uma notícia, foto ou algo que possa saciar a nossa vontade. Se a marca é ruim sofremos por relembrar do trauma, podemos ficar remoendo, relembrando momentos, pensando em “n” possibilidades daquilo que poderia ser diferente e no fundo só estamos causando a nossa dor. Somos torturados em um trabalho conjunto da mente que traz à tona as lembranças e pelo coração que a cada lembrança nos faz sentir novamente o sentimento por alguém que não temos mais. Não somos somente vitimas nessa relação, também somos capazes de deixar marcas. Cada um lida com sua própria dor, e cada um tem o direito de se achar “o maior sofredor do mundo”.

Refém do pensamento

Refém do pensamento

O nosso pensamento molda a forma como interpretamos a realidade. Durante nossa trajetória, nos deparamos com teorias libertárias, conservadoras, de direita, esquerda, concepções que fazem questionar a nossa própria realidade. Como nos romances, algumas ideias seduzem e fazem acreditar piamente que o mundo que ela apresenta é a nossa utopia a ser alcançada. Deixamos ser levados por ideias antagônicas e exercermos ecletismo, pois do ponto de vista teórico, representa uma incompatibilidade. Formamos uma colcha de retalho com ideias pré-concebidas para que ela se encaixe nos nossos interesses. Chega o momento que amadurecemos e escolhemos ideias para seguir. Assim renunciamos as demais opções. É como o desejo pela liberdade que a vida de solteiro demonstra. O fato de não ter um(a) companheiro(a) que nos “amarre”, limite nossos desejos ou que nos prive da liberdade, faz com que reneguemos oportunidades que um relacionamento pode proporcionar. Impede a construção de uma relação em que cada sujeito seja respeitado, incluindo sua noção de liberdade. A vontade de sentir a liberdade acaba camuflando o medo ou outros sentimentos. O fato é que não há possibilidade de viver tudo plenamente e ao mesmo tempo. Saber o que queremos pode ser tarefa extremamente difícil, porém é necessário coragem para que possamos nos libertar de nossos pensamentos que podem agir como prisões. Nesse contexto, somos prisioneiros de nós mesmos em uma cela que de inicio representou a liberdade.

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