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Conhece a ti mesmo?

Conhece a ti mesmo?

Nós temos uma maneira de agir e comportar. Nem sempre conseguimos perceber como atuamos, como repetimos nossas ações e comportamentos nas mais diversas situações. A repetição de situações análogas que passamos escapa a nossa vista e a falta do autoconhecimento impede que possamos notar essas sutilezas. Parece que é mais fácil notar esse movimento nos outros. Assim, somos bons observadores alheios, mas ruins na observação e identificação interna. Talvez seja um dos “n” motivos que levam mais e mais pessoas procurarem terapia. E sejamos sinceros, conhecimento não faz mal a ninguém e ainda mais nesse caso, onde conseguimos conhecer um pouco mais de nós mesmos. A agitação do dia a dia não permite espaço para reflexão, espaço para podermos ouvir a nossa vontade, pois estamos ligados a movimentos externos, dragados pelo mundo do trabalho com suas demandas intermináveis e que sugam as nossas energias, e paradigmas de comportamento que seguimos, mas sem saber por quê.  Porém é necessário ir contra a corrente, parar e olhar para dentro, pois sem isso não iremos nos cuidar e podemos nos tornar aquela árvore velha que ao nos deparar com ela tem um sua casca aparentemente saudável, mas está podre por dentro.

-Eu te entendo. -Será mesmo?

-Eu te entendo.
-Será mesmo?

 

Compreender o outro é algo que dizemos fazer, e algo que agrada diversas pessoas. Entretanto será que realmente somos capazes ou tentamos nos colocar no lugar da outra pessoa, mas sem perder a nossa referência? Há a palavra empatia que pode ser compreendida como a capacidade de se colocar no lugar do outro. Isso será o suficiente? Não quero aqui dizer que não somos incapazes de entender o sentimento do outro, mas será que realmente o compreendemos em sua complexidade. Quando nos colocamos no lugar do outro, não podemos simplesmente “tomar” a posição que o outro estava e tentar compreender, pois aí será a nossa experiência, o nosso sentimento relatado. É necessário maturidade para praticar a empatia. No momento de se colocar no lugar do outro, deveríamos compreender a sua visão de mundo, como ele incorporou o conhecimento e o valor que ele da as coisas. Seria como se estivéssemos praticando um “divórcio cultural”, nos desprendendo de nosso ponto de vista e realmente enxergando com outros olhos. Sem tal atitude continuamos julgando com base em nosso juízo de valor, e ver o mundo somente sob nossa perspectiva.

Você vai. As marcas ficam.

Você vai. As marcas ficam.

Relacionamos-nos diariamente com pessoas de forma real ou virtual. Algumas criamos vínculos, sentimentos e trocamos experiências. Mas nem sempre as relações são duradouras. Na era das relações efêmeras, quando pensamos que será duradouro, a vida nos prega uma peça e o destino nos separam daquela pessoa que estamos gestando um sentimento. Mas a distancia e até mesmo a falta de contato não apaga a marca que ela deixou. E nesse ponto é que sofremos, pois se a marca é boa sofremos pela saudade, relembramos da pessoa em situações do dia a dia, stalkeamos as redes sociais na busca por uma notícia, foto ou algo que possa saciar a nossa vontade. Se a marca é ruim sofremos por relembrar do trauma, podemos ficar remoendo, relembrando momentos, pensando em “n” possibilidades daquilo que poderia ser diferente e no fundo só estamos causando a nossa dor. Somos torturados em um trabalho conjunto da mente que traz à tona as lembranças e pelo coração que a cada lembrança nos faz sentir novamente o sentimento por alguém que não temos mais. Não somos somente vitimas nessa relação, também somos capazes de deixar marcas. Cada um lida com sua própria dor, e cada um tem o direito de se achar “o maior sofredor do mundo”.

Preguiça

Preguiça.

 

A preguiça de acordo com o dicionário é aversão ao trabalho; pouca disposição para trabalhar; ócio. Lentidão em fazer qualquer coisa; morosidade; estado de moleza. A definição pode ser pouco conhecida, mas o que ela representa não é. Nós “enfrentamos” diariamente e cada indivíduo trava sua batalha pessoal. Ela pode ser quando se acorda na segunda para ir trabalhar, e aí você sente que o final de semana de bebedeira com os amigos serviu para trazer cansaço e a preguiça. Pode ocorrer após a refeição, quando vem aquele sono típico pós-almoço. Há diversas situações em que pode ocorrer e outras em que ela serve como incentivo. Há tempos refleti que o homem que havia inventado a roda seria o mais preguiçoso, pois ele criou algo que possibilitou uma tremenda economia de energia (rs). Desde então, penso que as invenções vão à direção da preguiça, e corroboram para que o Homem tenha que desempenhar a menor quantidade de energia e com o maior conforto e comodidade possível. Seria como um amigo de graduação dizia: é a lei do menor esforço. Não quero aqui dizer que realmente somos todos preguiçosos. Entretanto, acho que devemos reconhecer esse sentimento que há dentro de nós, mas que é visto com ojeriza pelo mundo capitalista do trabalho.

Porque só o amor não basta.

Porque só o amor não basta.

 

As relações em que o amor está presente são as melhores, e ele pode ser sentido de diversas formas. Entretanto, o amor é o elemento mantenedor forte suficiente para uma relação? No século XXI ainda nutrimos o mesmo sentimento amoroso de outrora, e acreditamos que havendo sua presença, a relação terá seu sucesso garantido. Mudamos ao longo de nossa história, e a forma de amar também é alterada, já que seus atores não são mais os mesmos. Hoje demonstramos a capacidade de nutrir sentimento por alguém que nunca vimos pessoalmente, mas que através de mensagens se faz presente; conseguimos nos apaixonar por imagens que criamos por base em nossas interpretações de atitudes daqueles que só estão presente virtualmente; enganchamos-nos com pessoas do nosso cotidiano, com estranhos ou com amigos que conseguem nos contemplar, suprir necessidades que nem se quer sabemos que temos. A realidade nua e crua é de que criamos um sentimento, geramos expectativas e torcemos piamente para que eles sejam correspondidos, mas nem sempre é possível. Além do amor, a convivência é algo tão importante quanto aquilo que sentimos pela pessoa, e se não conseguimos conviver com o outro, o amor não será suficiente para nos manter unidos. Não gostamos da dor, da perda, do fim e lutamos para que aquilo que gostamos permaneça, porém essa luta ou adiamento do fim pode gerar mais dor aos envolvidos na relação. Ela nem sempre é percebida, mas como então toda relação, há aquele que gosta mais, aquele que é mais racional, mais sensível e conseguem notar a deterioração da relação e aí uma série de motivos podem ser elencados para essa percepção, pois a pessoa pode se sentir sufocada com a relação, ter sentimento de tristeza, se sentir obrigada a estar com a outra pessoa por já ter compromisso firmado, etc. Nesse momento não percebemos que o apego pelo outro tomou o lugar do amor, e por isso há a dependência da presença. A separação, por mais traumática e dolorida que seja, é o caminho- correto ou não, só o tempo irá dizer-, mas permanecer inerte é ignorar a dor de quem está ao seu lado, é não enxergar a própria situação. Não se deve acreditar que só se vive o amor uma vez, é preciso ter coragem para amar e tendo ela, receberemos nosso bônus ao invés da punição do pecado de acreditar que só se vive uma vez.

Afogando no mar de informações.

Afogando no mar de informações.

A produção de informação está em patamar nunca antes visto na história da humanidade. Todos são capazes de produzir informação e transmiti-las através das redes sociais. Ocorre que a era da informação não resulta na geração de cidadãos bem informados e conscientes. A grande oferta de informações, verdadeiras e falsas, inunda a nossa vida e faz com que as consumimos sem distingui-las. Falta empatia de nossa parte para compreender os motivos que levaram a outra pessoa a agir e pensar daquela maneira. Nos sobra egoísmo para nos convencermos de que estamos certos e de que aqueles que divergem de nós estão redondamente enganados e por isso merecem ser punidos. Refletindo a luz das discussões que são travadas cotidianamente, as informações são como verdadeiras espadas embainhadas num duelo. O contraditório, é que hoje o diálogo construtivo é sufocado pelas discussões e pelo nosso medo de sermos contraditos, “ficarmos por baixo”. Na discussão há a busca pelo vencedor, mas na conversa não há um vencedor. A ideia de expor seu ponto de vista de maneira respeitosa e ouvir seu interlocutor é de fazer com que ambos saiam com seus pontos de vista fortalecidos ou que repensem sua posição. Assim, no diálogo, é possível a conversa entre posições diametralmente opostas e não há o receio. A internet através das redes sociais é espaço igualitário para expor ideias e aglutinar indivíduos que compartilham do mesmo ponto de vista, mas o comportamento de internautas reproduz a lógica bélica. Os argumentos na busca pela vitória não são medidos e a defesa pela liberdade de expressão é utilizada para justificar atos de barbaridade. Evoluímos constantemente, mas ao invés de superar nossas diferenças nós estamos indo para lado oposto e nos segregando cada vez mais.

Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.

Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.

A frase que dá título ao texto é oriunda da música Era uma vez da cantora brasileira Kell Smith. Ouvindo a música essa frase chamou a atenção, e fez refletir sobre a infância e a vida adulta. Não importa a idade, a dor está presente. Entretanto, na infância sentimos a dor física de um joelho ralado, de um dedo do pé machucado ao tentar chutar a bola na casa da vizinha descalço ou por um brinquedo quebrado, uma pipa perdida. Naquele momento a dor física se mostra pesada, capaz de arrancar lágrimas e berros. Quando crescemos e conhecemos outros sentimentos, nos deparamos com a dor subjetiva. O conflito de interesses, relacionamentos, discussões e violências simbólicas passam a serem sentidos. Crescemos, deixamos de ser crianças, enfrentamos o mundo do trabalho e continuamos convivendo com a dor. No convívio social somos capazes de sofrer e também de magoar profundamente. As nossas atitudes podem ser muito mais doloridas do que joelho ralado. A nossa forma de agir, por mais racional que seja, é capaz de ferir os outros e a nós mesmos, mas nem sempre percebemos. Nos enchemos de soberba para justificar nossa atitude e desqualificar a ação dos outros. No fundo, a nossa ação busca a autoproteção no sentido de evitar a dor. Mantemos comportamento hedonista e egoísta tentando satisfazer nossos anseios. Somos adultos fortes fisicamente, mas fracos emocionalmente e que sentem mais dores do que quando éramos crianças.

Link para a música no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=xJNKT9HAXRc

Novas relações, velhos sentimentos

Novas relações,  velhos sentimentos

As relações amorosas estão sendo transformadas. Na era da modernidade e do consumo, elas passaram a ser mais um produto. A mudança ocorre de maneira rápida e afeta todas as gerações. Atualmente não é mais necessário sair de casa para conhecer alguém. A internet possibilita a conexão entre as pessoas, e faz com que, através de aplicativos e sites de relacionamentos, a Web funcione como um dia a praça de sua cidade já foi. Ela já foi ambiente de interação social e capaz de iniciar relacionamentos que geraram novas famílias. O habito de homens e mulheres andarem em sentidos contrários na praça praticamente não existe mais. O processo de flerte era rudimentar se comparado aos dias atuais. Na praça, homens e mulheres usavam suas “armas”: olhar, um flerte, um sorriso. As artimanhas eram simples e singelas, assim como a ambição. A meta era encontrar alguém e seguir o “caminho natural” constituir família e ter filho. Atualmente a visão de mundo é outra. Não é que não existam pessoas que queiram o matrimonio, mas há novos elementos a serem ponderados. Os objetivos mudam em cada geração, e a vida profissional tomou uma preponderância. Apesar de o dinheiro ter tomado uma importância maior, ainda queremos ter um parceiro para dividir os momentos. No entanto, agora procuramos parceiros que estejam alinhados aos nossos objetivos. Desta maneira, tentamos viver como seres unicamente racionais se importam com a vida profissional e tentamos atingir sonhos pessoais. Outro traço que mudou e que tem a mesma importância é a individualidade. Somos estimulados ao individualismo, a nos sentirmos únicos. Apesar de toda essa mudança no relacionamento, há uma coisa que não muda: o sentimento, o amar. As relações são afetadas por diversos elementos do mundo contemporâneo, mas o sentimento permanece atemporal, e o sofrimento por ele provocado ainda é o mesmo. Muitos buscam relacionamentos efêmeros e casuais pensando serem imunes. A praticamente comumente chamada de “praticando o desapego” funciona perfeitamente na teoria, mas a prática comumente mostra-se bem diferente. Ao relacionar-se com alguém é inevitável a criação de um sentimento pela pessoa, de um carinho por ela. No inicio não é notado, mas é como se a outra pessoa fosse adentrando em nossa vida, e só notássemos isso quando ela não está mais presente. É nesse momento em que nos damos conta de que realmente havia um sentimento pela pessoa, mas pode ser tarde para recuperá-la. O sofrimento aparece, e em uma relação não existem indivíduos imunes aos sentimentos. O externo a nós é alheio as nossas vontades, é alterado dia após dia, hora após hora, minuto a minuto, mas os sentimentos permanecem inalterados. A maneira como as relações são iniciadas, desenvolvidas e terminadas podem ser alteradas, mas o sentimento, por hora, permanece o mesmo ao longo de nossa história.

Sinceridade.

Sinceridade.

A palavra sinceridade tem o significado de qualidade, estado ou condição do que é sincero; franqueza, lisura de caráter. Ser sincero, atualmente, é ser dotado de uma qualidade que poucos têm. Dizer a verdade nem sempre é tarefa simples, chega a exigir grande esforço. Dentro de um diálogo é um exercício duplo em que o locutor deve dizer o que realmente pensa e o ouvinte que deve absorver as palavras proferidas. Ouvir elogios é prazeroso e afaga a alma, mas ouvir críticas e palavras duras pode machucar profundamente. Porém a vida não é feita só de momentos bonitos como em um conto de fadas de “viveram felizes para sempre”. A sinceridade em uma crítica corre uma linha tênue, pois ela pode passar de crítica construtiva para destrutiva, sendo na verdade uma grande “bronca” opressora, e ao invés de gerar momento de reflexão cria dor, nutre sentimentos que nos fazem mal. Penso que devemos sim ser sinceros, pois faltar com a verdade pode causar mais dor do que uma conversa indigesta. Deve haver um propósito e não fique só em uma crítica pela crítica.

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