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Espaço para leitura e reflexão.

Fio vermelho do destino_ crueldade

Fio vermelho do destino_ crueldade.

Akai Ito ou fio vermelho do destino é uma lenda de origem chinesa e, de acordo com este mito, os deuses amarram uma corda vermelha invisível, no momento do nascimento, nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser alma gêmea. Deste modo, aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar essas duas pessoas que estiverem interligadas fatalmente irão se encontrar!

A lenda acima poderia ser pretexto introdutório para uma divagação sobre relacionamentos, mas o assunto é outro: crueldade. O tema difere da lenda que versa sobre almas gemas, e a utilizo para aproveitar a linha que nos une a diversas outras pessoas que sofrem consequências diretas e indiretas de nossos atos. Desde que nascemos temos ligações com nossos pais, familiares e posteriormente as amizades que cultivamos. Criamos nossas utopias sobre o futuro, porém ocorrem circunstâncias que alteram nossos caminhos, nossa forma de enxergar o mundo e nossos sentimentos. Tornamos-nos pessoas diferentes, secas, duras, insensíveis e egoístas. A falta de sensibilidade e empatia causa a não percepção do reflexo das atitudes que tomamos. A crueldade pode estar nos atos que cometemos, no resultado deles e ela não se restringe a classe social. O filho do empresário pode ser tão ou mais cruel que homem que viveu em situação extrema e escolheu caminho do crime, foi obrigado a não ter escrúpulos para sobreviver e chega ao ponto de falsificar a morte da mãe para conseguir dinheiro. Já o individuo procedente de situação oposta pode não ter a mínima noção e assaltar a empresa da família, prejudicar os negócios e ainda prejudicar todos aquelas outras famílias que estão interligadas. No limite, não há como classificar qual é mais ou menos grave. Os atos são cruéis e torpes. Esses não são únicos casos de crueldade. Há diversos outros casos que vivenciamos e não notamos. Há atos que presenciamos, mas preferimos não intervir e nesses casos a violência é dupla, pois somos cruéis na nossa opção passiva de simplesmente ignorar e seguir com nossa vida.

O inferno são os outros.

O inferno são os outros.

Vivemos em convívio social desde o nosso nascimento, afinal, temos uma origem e os primeiros a conviver conosco são os nossos pais. Crescemos e aprendemos a expressar nossas vontades primeiro com atitudes simples até chegarmos as palavras e frases. A convivência irá nos acompanhar por toda a nossa vida. Não há vida isolada e por mais que ocorra a tentativa de isolamento, chega momento em que a interação social irá ocorrer. Na vida em sociedade regras foram estabelecidas para haver convivência pacifica, mas isso de fato não ocorre. O processo de aceitar opiniões contrárias demonstra a nossa dificuldade em aceitar aquilo que nos é diferente. É fácil aceitar opiniões que são semelhantes e criticar aquelas que diferem da nossa forma de pensar. Acontece que a presença daquele que difere incomoda. Nos é difícil aceitar a opinião, e nesse ponto demonstramos nossa barbárie, pois aceitar as diferenças é sinal de civilidade. A vida em sociedade impõe negociação permanente. Nesse contexto, a frase que da título ao texto demonstra que colocamos a culpa no outro. Mas qual o nosso grau de responsabilidade? Fazendo exercício de lógica: se o inferno são os outros logo somos o inferno de alguém. De fato negamos a compreensão do pensamento do outro ou simplesmente nos julgamos superiores a ponto de não respeitá-lo. A escolha é individual e da mesma maneira que julgamos também seremos julgados. Não cabe aqui fazer discurso piegas sobre respeito a opiniões contrárias. A intenção de fato é rever o posicionamento individual. Há pessoas que nos incomodam, e que a simples presença torna o ambiente desagradável, mas ela sabe como você se sente? Situação análoga não ocorre com você? Será que você torna o ambiente de alguém intragável?

Incertezas ou angústias?

Incertezas ou angústias?

O futuro é incerto, pois não temos o domínio sobre o tempo para poder saber o que irá acontecer. O tempo que está por vir nunca será atingido por nós, porque quando chegamos até ele, ele já se transformou em presente. Assim, o agora constrói o amanhã e são nossas ações nesse tempo vivenciado que irá construir o momento intangível. Diante dessa situação criamos ilusões na forma de esperança, mas há momentos que ela se esconde e somos obrigados a conviver com nossas angústias e incertezas sobre o futuro. Nesse cenário, há uma inércia que hora nos puxa positivamente nos momentos esperançosos e há o movimento oposto. No modus operandi da negatividade acabamos navegando no mar de incertezas. Saber lidar com momentos incertos que influenciam diretamente em nosso cotidiano, metas e sonhos, é importante para conseguir sair desse quadro. Para adentrar nesse cenário incerto não há um caminho único, mas há diversos e que possuem pontos de intersecção. A visão de mundo fica entorpecida por esse sentimento e ações que antes pareciam simples, podem transformar-se em verdadeiras muralhas a serem ultrapassada. O sentimento é alimentado individualmente e corrói nossas “entranhas” gerando uma dor que só o individuo sente, mas que ele a transparece em ações, gestos, na face e até na postura corporal. Assim como a chegada nesse ponto, a saída dessa situação possui diversas possibilidades, mas ela é impar. O caminho que pode servir para mim poderá ser a estrada da perdição para outro. O autoconhecimento pode ser uma solução. Os amigos podem exercer papel fundamental. Ou nenhuma das hipóteses poderá servir e a incerteza, angustia e outros sentimentos que nos corroem podem ser prazeroso. Certo é que cabe a grandeza de entender a situação e tomar a decisão que lhe convenha.

Silêncio a dois

Silêncio a dois.

A busca por um parceiro afetivo é algo comum. Cada pessoa cria suas expectativas, vislumbra como seria o parceiro ideal e a busca ocorre em nossa vida social. A relação iniciada é um aprendizado. As primeiras, quando revistas, demonstram nossa visão sobre o assunto, revela nossa inocência e imaturidade. Há casais que conseguem superar os percalços e ter uma vida plena em companhia desde o primeiro namoro. O sentimento chamado amor, aquele que representa o desejo que sentimos pela outra pela pessoa, pela saudade que ela gera em sua ausência e até mesmo por aquele “friozinho” na barriga momentos antes do encontro, é algo que quando compartilhado engrandece a relação. A retribuição do que sentimos faz com que nossos sentimentos sejam contemplados. A nossa feição é alterada: é a tal cara de apaixonado. O ponto comum dessa retribuição se encontra na frase: “amar e ser amado”. Dentro dessa relação, dessa proximidade e da intimidade há momentos em que não se faz necessário uma palavra para ser compreendido. O olhar, gesto ou atitude pode ser mais significativo do que mil palavras ditas. Além disso, a companhia da outra pessoa e somente o estar ao lado dela pode representar preenchimento de sentimento. Assim, até mesmo o silêncio a dois pode ter significados únicos e maiores do que conversas vazias ou protocolares. Esse momento sublime pode representar a sintonia entre o casal, pois para seu entendimento não é necessário diálogo e não há espaço para questionamentos sobre o outro ou sobre o que ele está pensando, pois é senso comum de que estão juntos de corpo e “alma”.

Respeito

Respeito.

O respeito pode ser definido como demonstrar acatamento ou obediência a; cumprir. O discurso comum é que devemos respeitar para sermos respeitados. A retórica difere das práticas do cotidiano. A fala de respeitar parece não chegar as microrrelações, práticas do cotidiano, local onde de fato respeitar o outro pode ser atitude extremamente significativa. As ações básicas diárias parecem ser afetadas por uma soberba dos indivíduos que julgam ser mais importantes. Não conseguem respeitar a pessoa desconhecida que cruzam numa caminhada pela calçada onde um necessita abrir passagem para outro; não respeita limite de velocidade; não respeita fila; para em local proibido pensando que não causará problema; não respeita motorista que está em uma situação delicada no transito e tantas outras situações. O egoísmo parece chegar a níveis elevados. É fato que isso é algo que na teoria (discurso sobre respeitar) difere da pratica (praticar o respeito). Mas por que se fala tanto em respeito e todos os exigem, mas poucos praticam? A autocrítica seria uma alternativa para entender a posição individual frente essa questão e tantas outras. Entretanto, o ato de pensar sobre nossas atitudes parecer ser algo cada vez mais raro e como esperar a mudança daqueles que julgam serem superiores ou mais importantes. Fica a questão: você pratica respeito no seu dia a dia?

Hobby

A nossa vida é repleta de atividades desempenhadas desde quando viemos ao mundo. Nas fases iniciais as atividades são descaracterizadas para que não haja cobrança e que tenha um fim lúdico. No decorrer de nossa história criamos novas vontades, desejos de aprender coisas novas e encarar novos desafios. O que irá diferir das atividades anteriores é de que na vida adulta o espaço para o lúdico é reduzido, as atividades e o rendimento que desejamos demandam cobrança. Nesse trajeto, para alcançar nossas metas, haverá cobrança para desempenhar atividades que temos interesse. A atividade que inicialmente se mostra prazerosa ganha feição completamente apaixonante, mas o encantamento pode ir para o caminho oposto: desencantamento, frustração ou trauma. Pense em uma atividade que dê prazer, agora a imagine tendo que realizá-la sempre. A relação é alterada completamente. Enquanto na atividade lúdica ou hobby nós possuímos o domínio do tempo e a realizamos quando bem entendermos. Já quando a atividade caminha para lado profissional, que exige dedicação, perdemos o domínio do tempo, pois iremos realizar não mais de acordo com a nossa vontade, mas sim quando necessário e independente de nosso estado de espírito. O fascínio de algo é muito relativo e está intrinsecamente ligado ao gosto, cultura e rotina de cada individuo. O fato é que as atividades nascem dos hobbies e eles se originam nos nossos desejos que são gestados internamente. Assim, a vontade por algo novo deve ser mantida e aprimorada, assim podemos nos conhecer mais e ver todo o nosso potencial.

Discutir o Brasil.

O acirrado clima político nacional polariza o debate social. Há claros flancos abertos e os participantes defendem pontos de vistas opostos. A situação em que o Estado, a sociedade e a economia nacional se encontram é comum, mas as alternativas diferem em cada campo político. Certo é que, nesse momento de crise nacional, reformas são necessárias e podem alterar a configuração do Estado brasileiro a longo prazo, tendo impacto direto na sociedade através dos serviços prestados e da economia.

A ânsia pelo retorno da baixa inflação, do crescimento econômico e do aumento da renda perpassa o cidadão, porém há demandas, como inclusão social, redução da pobreza, saúde e ensino de qualidade, que não devem sair do horizonte do Estado. Essa questão não é simples, pois está claro que o “mercado” e uma parte significativa de grupos políticos defendem a redução do Estado e a maior participação da área privada. As reformas pretendidas pelo atual Governo corroboram essa visão e a ponte para o futuro aporta em um Estado mínimo, com orçamento engessado e classe trabalhadora “dotada” de legislação e previdência que privilegiam os empregadores.

A sociedade brasileira é formada, em sua maioria, por trabalhadores que precisam dos serviços fornecidos pelo Estado. Historicamente, essa instituição sempre foi construtora da sociedade, passou por reformas liberais e neoliberais, foi dotada de caráter gerencialista, mas voltou a ser aparelhada e grande. A educação e a saúde são de suma importância para a grande massa social e não é por menos que são garantidas pela lei máxima do país.

O embate é claro: Estado mínimo x Estado provedor. Esse embate político no qual os participantes possuem graus diferentes de poder deve ser travado. A discussão e a tomada de decisão fazem parte do jogo político. Mas no horizonte de cada um deve estar o país e a questão de suma importância, para além de aspectos meramente emergenciais, sobre qual é o país almejado para o futuro. As medidas tomadas nesse período irão delinear a construção do futuro da nação que nunca deve sair do horizonte político.

Liberdade?

A liberdade é algo defendido e proclamado no conhecimento popular. No dicionário Aurélio sua definição é: direito de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem; condição do homem ou da nação que goza de liberdade; conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos ao cidadão. De fato há essa liberdade total, respeitando o direito do próximo ou há uma sensação de liberdade vivenciada coletivamente? Somos realmente livres para escolhermos o que bem entendermos ou temos a sensação de sermos livres e escolhermos opções previamente selecionadas? Seria como nos pedissem para fazer a seleção de uma carta de baralho dizendo de que se poderia escolher qualquer uma, mas as opções já haviam sido feitas muito antes. Reflita, as nossas opções já seriam pré-condicionadas e as nossas escolhas teriam expectativas a serem atingidas? Essa questão é repetida diariamente e rotineiramente, pois estamos diante de situações das mais banais até as mais complexas que exigem tomadas de decisão. Assim, fica a questão: existe liberdade?

“O homem mais sábio que já conheci em toda a minha não sabia ler nem escrever”.

A frase acima é do escritor português, José Saramago, pronunciada ao receber o Nobel de literatura em 1998. O homem mais sábio que Saramago se refere é seu avô, o qual, durante sua vida, o ensinou através do conhecimento apreendido. Em nossa vida é comum encontrarmos diversos exemplos como o de Saramago. Deparamos com pessoas com pouquíssima instrução e dotados de uma sabedoria enorme. A vida tem a capacidade de ensinar uma lição nova a cada momento, entretanto nos fechamos para elas. Saber ler, ter vasto conhecimento ou ser dotado de uma imensa inteligência não é sinal de sabedoria. A sabedoria vai além da reprodução de informações, ela é o real aprendizado e assimilação das matérias da vida. É saber transmitir conhecimento e experiências através de simples gestos ou palavras. Assim, sabedoria e inteligência são coisas distintas e muitas vezes não se encontram juntas. Humildade e sensibilidade são necessárias para notar pessoas que estão ao nosso redor que são dotadas de enorme sabedoria, e em uma simples conversa podem nos ensinar muito mais do que aqueles que são dotados de diplomas e saberes acadêmicos.

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