Você NÃO vai conhecer o homem dos seus sonhos.

O título do texto é uma referência ao filme de Woody Allen Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010). Aqui não haverá uma sinopse ou análise do filme, mas uma reflexão sobre a idealização que fazemos sobre os parceiros que desejamos ter. A vida, duramente, nos ensina que entre o nosso desejo e a realidade há enorme diferença. Traçamos planos de como será o relacionamento almejado, o que iremos fazer com nosso parceiro e como será cada detalhe. Somos capazes de montar uma lista de requisitos e temos a esperança de encontrar a pessoa que atenda todos nossos anseios. Porém isso não ocorre de forma plena. É prazeroso o ato de sonhar com parceiro ideal e ingênuo também. Nesse processo imaginativo seria como olhar a Lua. Nós só conseguimos ver a parte iluminada pelo sol, mas não conseguimos ver a outra parte, aquela que está obscura. Na montagem do nosso personagem/parceiro a parte iluminada são as qualidades elencadas, mas optamos por não pensar nos defeitos. A utopia pessoal não abre espaço para imperfeições. Mas imaginemos viver ao lado de uma pessoa “perfeita”. Será que essa perfeição não irá incomodar? Um casal necessita viver por todos os momentos: bons, ruins, crises e etc. Cada momento pode representar uma mudança de paradigma e permite que um conheça melhor o outro. Como diria minha bisavó: Se você quer conhecer alguém como dois quilos de sal com ela. Os cardiologistas de plantão podem ficar tranquilos, pois é apenas uma metáfora que remete ao tempo necessário de convivência para maior conhecimento. Mesmo havendo todo esse tempo, há pessoas que conseguem nos surpreender com suas atitudes.  Assim, a nossa construção do personagem que irá entrar em nossa vida e compartilha-la é válida, mas não pode ser a nossa única ferramenta de seleção.