O acirrado clima político nacional polariza o debate social. Há claros flancos abertos e os participantes defendem pontos de vistas opostos. A situação em que o Estado, a sociedade e a economia nacional se encontram é comum, mas as alternativas diferem em cada campo político. Certo é que, nesse momento de crise nacional, reformas são necessárias e podem alterar a configuração do Estado brasileiro a longo prazo, tendo impacto direto na sociedade através dos serviços prestados e da economia.

A ânsia pelo retorno da baixa inflação, do crescimento econômico e do aumento da renda perpassa o cidadão, porém há demandas, como inclusão social, redução da pobreza, saúde e ensino de qualidade, que não devem sair do horizonte do Estado. Essa questão não é simples, pois está claro que o “mercado” e uma parte significativa de grupos políticos defendem a redução do Estado e a maior participação da área privada. As reformas pretendidas pelo atual Governo corroboram essa visão e a ponte para o futuro aporta em um Estado mínimo, com orçamento engessado e classe trabalhadora “dotada” de legislação e previdência que privilegiam os empregadores.

A sociedade brasileira é formada, em sua maioria, por trabalhadores que precisam dos serviços fornecidos pelo Estado. Historicamente, essa instituição sempre foi construtora da sociedade, passou por reformas liberais e neoliberais, foi dotada de caráter gerencialista, mas voltou a ser aparelhada e grande. A educação e a saúde são de suma importância para a grande massa social e não é por menos que são garantidas pela lei máxima do país.

O embate é claro: Estado mínimo x Estado provedor. Esse embate político no qual os participantes possuem graus diferentes de poder deve ser travado. A discussão e a tomada de decisão fazem parte do jogo político. Mas no horizonte de cada um deve estar o país e a questão de suma importância, para além de aspectos meramente emergenciais, sobre qual é o país almejado para o futuro. As medidas tomadas nesse período irão delinear a construção do futuro da nação que nunca deve sair do horizonte político.