O ato de escrever é tarefa solitária, e faz com que passamos aquilo que esta guardada no nosso interior para o papel. Expressar sentimentos em forma de palavras não é simples. Em um diálogo há a facilidade da fala, mas pecamos por receio de que o nosso interlocutor possa pensar ou compreender de forma equivocada o que estamos dizendo. Na escrita não há interlocutor, há somente o autor, papel e caneta, e mesmo assim conseguimos complicar, não expressar com clareza as nossas ideias, sentimentos e desejos. Escrever é parecido com as demais atividades que fazemos, e para melhorar necessitamos praticar, errar e acertar. A questão é que ela pode ser praticada pelos letrados, mas são poucos os que se aventuram nesse certame. O ato de escrever e a forma como escrevemos revela um pedaço de nossa natureza. Seria como se em cada texto estivéssemos mostrando um pouquinho de nossa essência, de forma pura e sem máscaras sociais usadas para bajular determinados grupos. Escrever para alguém ou por alguém tem seu valor, mas escrever por si mesmo gera sentimento de conforto maior. A cada nova linha, uma nova descoberta e a cada texto terminado um sentimento toma conta. É o reconhecimento de cada sentimento que está dentro de nós. O fruto desse diálogo com nós mesmo durante a escrita reforça o ato de ouvir nossos sentimentos, e que por vezes, na correria do dia, calamos para que não atrapalhe a tomada de decisão. Escrever demanda tempo. O tempo demandado com nós mesmo é investimento e não tempo gasto. Respondendo a pergunta que dá título ao texto: escrevo porque sinto a vontade de passar para o texto aquilo penso e que nem sempre falo, mas que reflito e quero que chegue ao leitor a minha reflexão.