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Refletindo

Espaço para leitura e reflexão.

mês

setembro 2016

Onde nos escondemos?

O nosso comportamento reflete o estado de espírito e o contexto que cerca determinadas situações. Acabamos tendo a tendência de nos fecharmos em um “mundinho” próprio e a tecnologia permite que isso ocorra em qualquer ambiente. Antes dos telefones móveis, era necessário isolamento geográfico, ficar sozinho em um cômodo da casa. Nos dias atuais o celular permite que ocorra o isolamento mesmo em lugares cheio de pessoas como reuniões, sala de aula e até mesmo uma festa. Os motivos para o retraimento variam de acordo com cada personagem, porém há algo em comum nos casos. O conteúdo disponibilizado pelo aparelho entorpece ao ponto dele ser mais atrativo do que as pessoas que estão ao redor. O enclausuramento voluntário permite a visão dos atores excluídos daquele universo, – que observam as reações na face do enclausurado passando por risadas, reações tensas e até mesmo tristes- não compreendam o que está de fato acontecendo e somente que o assunto ali desenrolado é mais interessante. A ação escapista é extremamente comum e corriqueira na sociedade contemporânea, mas ficam questões: para onde levará os envolvidos? Qual alteração trará às relações humanas? São questões intrigantes e sem a resposta atualmente. O tempo e os acontecimentos sociais trarão a resposta, assim como novas questões.

Superação.

O esforço pessoal é algo que feito à sombra, onde não há olhares observando. Esse trabalho é que irá servir como base para o resultado futuro, mas o fruto deste esforço inicial muitas vezes é objeto de cobiça. A busca pelo objetivo final é diária. A superação ocorre com base na energia despendida e suor. A satisfação é sentida na superação, na chegada de novos resultados que antes pareciam impossíveis. Atletas são grandes exemplos. Quando vistos competindo não é possível ter dimensão do esforço; sacrifício feito para chegar naquele rendimento; quantas escolhas difíceis foram necessárias e os momentos de angustias vivenciados são e serão pessoais, mesmo que, haja com quem compartilhar a verdadeira dor só é sentida por quem faz ou sofre a ação. A mesma visão vale para a vida toda. A tentativa de alcançar uma grande meta exige esforço diário, escolhas difíceis e sacrifícios. A descoberta se tal esforço é válido só pode ser feita depois de certo tempo, pois os resultados muitas vezes demoram a aparecer. O certo é que o esforço será recompensado, e após esse processo há mudança pessoal e esse pode ser o maior legado.

Emancipação intelectual: benção ou desgraça?

“Quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem; o homem que é dotado de gênio sofre mais do que todos.” – Arthur Schopenhauer.

A modernidade tecnológica transformou nossa maneira de enxergar as coisas. Cada vez mais temos a sensação de que o tempo “passa” mais rápido de que antes. O tempo continua seguindo ritmo natural, mas o avanço tecnológico aumenta a velocidade dos acontecimentos e isso traz a sensação de que os dias passam cada vez mais rápidos. Junto dessa volatilidade há o fluxo de informações que é imensuravelmente maior do que já fora em um passado recente. Estamos inundados em um mar de informações, notícias e comentários, porém não conseguimos absorvê-las e sim consumi-las como produtos. A realidade dentro dessa era mostra que vivemos tempos de muita informação e pouca formação. O comportamento humano é cada vez mais de um consumidor, sujeito inserido na sociedade de consumo em busca de seu produto e prazer pela satisfação da compra. Não há espaço para generalizar a conduta, mas existe espaço para a incorporação de conhecimentos, aprendizados e assim alcançar a emancipação intelectual. O ocorre é que quando emancipado a visão sobre a realidade é alterada e o comportamento também o é. O posicionamento não deve ser o de antes, e lidar com o novo momento não é tarefa simples, visto que, ir contra a maioria nunca foi empreitada fácil. O sujeito emancipado pode tentar arregimentar novos companheiros através de seu discurso e de sua prática, mas lutar contra um sistema econômico-social que entrega o que promete torna esse lastro que os une difícil de ser quebrado. Para alguns a emancipação pode ser um fardo, pois muitas vezes é mais confortável e prazeroso manter a atual colocação, e continuar com comportamento misto de Homem Blasé e consumidor. O reposicionamento é contínuo, pode ser alterado a qualquer momento, após simples conversa ou informação que de fato seja compreendida ou que gera duvida, e aguce nosso desejo formação social.

Peixe grande em lago pequeno.

 

O filme “Peixe Grande e suas histórias” (2003) dirigido por Tim Burton é cheio de metáforas e, uma delas remete a nossa percepção, atitude na vida profissional e demais âmbitos. Às vezes somos peixe grande, mas em lago pequeno. A metáfora faz menção a mudança do personagem principal de sua cidade pequena para uma cidade grande. Voltando para a nossa vida, a cidade pequena pode ser entendida como nossa zona de conforto. Quando nos colocamos nela podemos relaxar e não alcançar nosso verdadeiro potencial. Dentro da zona de conforto a cobrança é reduzida ou estamos tão acostumados a lidar com ela que nem nos damos conta que existe. A escolha de sair de sair desse local que se torna prazeroso não é fácil, pois temos a tendência a nos acomodar. Mas encarar novos desafios faz crescer, amadurecer e pode motivar novas perspectivas. A acomodação não permite alcançar novos objetivos, talha a vontade de nutrir novas metas, pois a mudança tende a implicar a saída do local confortável. A junção da maturidade e da coragem faz com que possamos ter fé, lutar por nossos objetivos e acordar pela manhã motivados para encarar os novos desafios.

As nossas disputas.

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A competição é algo recorrente em nossa vida. Competimos desde que nascemos pela atenção e por carinho. O convívio social amplia o campo competitivo e se estende por toda a vida. Saber lidar com a competição é fundamental para o autodesenvolvimento. As vitórias e derrotas podem ser devastadoras em nossas vidas, sendo que, a primeira pode esconder aquilo que devemos melhoras e corrigir, enquanto que, a derrota pode ser um fardo muito grande para lidar e gerar graves consequências. Saber lidar com derrotas e frustrações é algo corriqueiro na vida, pois a todo o momento criamos expectativas sobre algo e que nem sempre é contemplado. A idealização ocorre desde um simples encontro que pode ocasionalmente acontecer até questões de suma importância. Ademais, o ambiente possuiu grande influência sobre nós e podemos nos acomodar em lugares que nos sentimos bem e não temos mais disputa. Em certo ponto, nossa vida pode ser espelhada com a de um esportista que sempre está tentando melhorar seu tempo e a grande lição é que, a sua disputa é interna, a tentativa é de que ele seja melhor que si mesmo em cada treino e na prova irá demonstrar e comparar o seu melhor com o melhor de cada companheiro de prática. Assim, devemos nos comparar com aqueles possuidores de grande capacidade, “competidores” que corroboram com o nosso crescimento e desenvolvimento.

A bolha

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Desde que nascemos a nossa realidade é aquilo que está a nossa volta. Seria como se vivêssemos dentro de uma bolha que age como prisma da realidade que a nossos olhos. A nossa condição social é fator primordial na construção da realidade catalisada pela nossa “bolha”, uma “bolha social”. Praticamente chegamos a viver mares de felicidade, onde a triste realidade fica além do horizonte, local em que nossa visão não alcança. Há acontecimentos que rompem a nossa bolha, seria como um trauma em que nossa bolha é rompida e a realidade que estava atrás do horizonte invadisse nosso olhar e nosso coração. As experiências são traumáticas e alteram nossa percepção da realidade. Podemos negar a ocorrência da experiência e tentar refazer a bolha, ou podemos alterar, encarar a realidade que nos envolve. Podemos construir nosso pensamento critico e alterar nossa atitude e valores. A ação em resposta aos acontecimentos é individual e deve ser respeitada, por mais que a indiferença das atitudes de terceiros nos cause náusea. Cabe a ação particular e com seus motivos para que o choque traumático resulte em ações transformadoras da “nova” realidade que outrora não era vista.

O futuro e nossas escolhas.

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Ao nascermos a nossa vida já está delineada. Os nossos pais planejam onde iremos estudar e pensam em como será a nossa vida adulta. Uma vida utópica é pensada, mas a realidade é construída no dia a dia, nas escolhas que fazemos diariamente. O futuro previamente planejado é alterado a cada momento em que tomamos mais consciência, criamos anseios pessoais e pode ser alterado de forma drástica se comparado com o que fora planejado antes mesmo de nascermos. Mas a utopia pessoal ou a fraternal só pode ser alcançada com as decisões tomadas no presente. O futuro é um eterno “vir a ser” e que nunca chega, pois quando ele chega já não é mais futuro e sim presente. A sua construção deve ocorrer no dia a dia, nas decisões que tomamos e nas consequências de tal atitude. A nossa utopia é algo a ser alcançado, mas que nunca conseguiremos tocar e dentro dessa relação contraditória reside sua grandeza que nos motiva. Quando temos o que alcançar podemos no sentir motivados, fortes para chegar a nosso objetivo. Não havendo o foco ou ponto a ser alcançado nos sentimos perdidos. Seria como se nossos dias fossem grandes vazios e sem significados.

As relações pessoais no mundo moderno.

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Vivenciamos tempo “moderno” e “liquido” retratado e até de certa forma previsto em grandes obras de nossa literatura como no livro 1984 de George Orwell e Admirável Mundo novo de Aldous Huxley. Os livros, cada um a sua maneira, são distopias que tratam de ambientes imaginários com forte repressão, desespero ou privação. Interessante fazer a leitura das obras e notar como elementos presentes nelas estão na vida cotidiana. Focando de fato em Admirável Mundo Novo podemos refletir sobre o tipo de relação que estabelecido atualmente.

As relações sociais estão cada vez mais efêmeras e controladoras. Há um claro choque de valores entre as gerações. As gerações mais novas buscam “curtir”, popularidade nas redes sociais. Mas e o contato humano? A tecnologia oferece a oportunidade dicotômica de estar sozinho e acompanhado. Você pode estar isolado, mas a tecnologia permite que você contate suas amizades e que muitas vezes são iniciadas somente online nunca havendo contato pessoal. Cada vez mais e mais o contato pessoal é substituído pelo contato virtual.

A amizade virtual é volátil e fácil de ser descartado. Quando um diálogo é estabelecido e as mensagens são trocadas comumente se imagina a feição da outra pessoa. Mas a realidade é que nunca sabemos qual a reação e quando a mensagem é visualizada e não respondida aí chega o momento da “auto tortura”. A imaginação divaga sobre “n” teorias que possam explicar o porquê não recebemos nossa resposta quando de fato só descobrimos o motivo quando o interlocutor revela o motivo do “atraso”.

A mente é a pior vitima e o maior carrasco para o individuo. A modernidade e a tecnologia geraram ambiente para o homem em que ele fere a si mesmo na busca pela “felicidade” nesse tempo líquido. As relações virtuais substituem as relações pessoais e dentro desse ambiente virtual todos exalam qualidades, mas poucos exalam a sinceridade. Motivados por uma “concorrência”, a busca por ser o mais popular ou por demonstrar a realidade humana. O homem demonstra não saber para onde caminha, mas acredita, em sua maioria, estar indo para o caminho correto.

Refletindo com nossos exemplos.

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Atualmente vivenciamos clima político acirrado. Comentaristas o ressaltam como algo novo dentro de nossa recente história democrática, mas é recorrente na história de nossa sociedade. O Brasil virou uma nação independente em 1822, mas continuou sob a tutela de um monarca português. No final do século XIX houve processo de proclamação da república surgida em 1889 e que em 1891 ganhou sua Constituição de cunho liberal. Porém o liberalismo praticado poderia ser chamado de liberalismo à brasileira, porque o Estado era “convocado” a participar de assuntos que eram de interesse da classe dominante. Exemplo crasso a compra do excedente de café legalizada com o Convênio de Taubaté (1906).

Notável do ponto de vista social foi que nos processos políticos as mudanças ocorreram de cima para baixo. A classe política engendrou as grandes mudanças. O cenário começou a ser alterado nas primeiras décadas do século XX quando houve o início dos movimentos sociais, as greves operárias, o movimento modernista, movimento nacionalista e movimento feminista. Nesse momento a classe política participava dos grandes temas de interesse nacional. O grande tema político era o país, o desejo de uma nação moderna e que superasse as dificuldades econômicas em que estava.

É coerente relembrar que na década de 1920 o Brasil passou pelo último ciclo do café e terminou o período sentindo os efeitos da crise de 1929. Hoje, quase 100 anos após aqueles eventos, vivenciamos situações com pontos de convergência: forte recessão econômica, crise política e intenso desejo social de mudança. Mas a participação política difere, os fóruns de debates são outros. Além das ruas há o espaço das redes sociais, TVs e jornais. A quantidade de informação hoje produzida é sem sombra de dúvidas superior, mas diante desse quadro nos deparamos com a má qualidade do debate.

As redes sociais e os comentários demonstram a ferocidade e o não respeito pela opinião contrária. Debater política é algo necessário, deve fazer parte do cotidiano de nossa sociedade, e saber respeitar a opinião contrária é sinal de maturidade. Os argumentos não devem ser usados como armas empunhadas, mas sim em prol de crescimento e reflexão sobre os temas de interesse comum. Estamos dentro de uma democracia. O Governo que vence a eleição deve governar para todos e independente de ter recebido seu voto. Assim, cabe aproveitar o momento de crise em que novas ideias são propostas e ideias antigas com nova roupagem são apresentadas para lapidá-las e criar um município melhor, um estado melhor e uma nação melhor.

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