Desde nossa infância somos convidados a sonhar sobre o nosso futuro. A pergunta mais banal revela o exercício que nos acompanha durante muito tempo: o que você quer ser quando crescer? A reflexão sobre o nosso futuro é constante e passa por diversas instâncias de nossa vida. O pensar, imaginar como poderia ser a nossa vida nos faz criar expectativas e que nem sempre são alcançadas. Nesse ponto mora um dos grandes atos de nossa vida cotidiana: como lidar com a quebra de nossas expectativas.
O ato de sonhar nos traz sentimentos presentes. Quem não gosta de imaginar como seria a vida futura, mas o confronto com a realidade do tempo futuro que chegou muitas vezes é cruel. O ato de não reflexão comparativo sobre o nosso devaneio e a realidade alcançada pode ser escapismo mais prático.
Crescemos, aprendemos cada um a sua maneira através da escola, convivência com amigos e familiares, acontecimentos prazerosos e desgostosos da vida. Somos moldados diariamente por relações e conflitos cotidianos. A maneira como lidamos com esses fatos de nosso cotidiano revela um pouco de nossa história. É inato o exercício de pensar e é, a partir dele, que criamos esperança, perspectivas de situações que desejamos que ocorram. É ato contínuo e com desfechos previsíveis: dar certo ou não. A frustração para muitos pode ser o balde de água fria que apaga a nossa chama de sonhar e para outros pode ser mais uma gota de gasolina em uma grande fogueira. No fundo, depende de suas escolhas.
A vida adulta perante o inocente o olhar de um adolescente é fantasiada pela palavra liberdade. Quando se é adolescente há plena convicção de que na vida adulta haverá liberdade para tomada de decisões que, enquanto adolescente, somos privados. Dentro de sonho pueril negligenciamos o outro lado. Junto com a liberdade de escolha está a responsabilidade para arcar com as atitudes tomadas. Ser adulto, no fundo, é lidar diariamente com a quebra de expectativas que nós mesmos criamos, é lidar com as relações humanas que muitas vezes são conturbadas por nossa própria culpa. Ser adulto é escolher e arcar com as consequências de tal atitude, é fazer o que deve ser feito na hora que deve e não na hora que queremos. Ser adulto também é sonhar e ter a liberdade de escolha para alcançar seus sonhos, mesmo sabendo das dificuldades de alcançar. É ter que acordar todos os dias para trabalhar mesmo que a manhã esteja fria e a cama convidativa. Ser adulto é encarar a vida real.