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Atualmente vivenciamos clima político acirrado. Comentaristas o ressaltam como algo novo dentro de nossa recente história democrática, mas é recorrente na história de nossa sociedade. O Brasil virou uma nação independente em 1822, mas continuou sob a tutela de um monarca português. No final do século XIX houve processo de proclamação da república surgida em 1889 e que em 1891 ganhou sua Constituição de cunho liberal. Porém o liberalismo praticado poderia ser chamado de liberalismo à brasileira, porque o Estado era “convocado” a participar de assuntos que eram de interesse da classe dominante. Exemplo crasso a compra do excedente de café legalizada com o Convênio de Taubaté (1906).

Notável do ponto de vista social foi que nos processos políticos as mudanças ocorreram de cima para baixo. A classe política engendrou as grandes mudanças. O cenário começou a ser alterado nas primeiras décadas do século XX quando houve o início dos movimentos sociais, as greves operárias, o movimento modernista, movimento nacionalista e movimento feminista. Nesse momento a classe política participava dos grandes temas de interesse nacional. O grande tema político era o país, o desejo de uma nação moderna e que superasse as dificuldades econômicas em que estava.

É coerente relembrar que na década de 1920 o Brasil passou pelo último ciclo do café e terminou o período sentindo os efeitos da crise de 1929. Hoje, quase 100 anos após aqueles eventos, vivenciamos situações com pontos de convergência: forte recessão econômica, crise política e intenso desejo social de mudança. Mas a participação política difere, os fóruns de debates são outros. Além das ruas há o espaço das redes sociais, TVs e jornais. A quantidade de informação hoje produzida é sem sombra de dúvidas superior, mas diante desse quadro nos deparamos com a má qualidade do debate.

As redes sociais e os comentários demonstram a ferocidade e o não respeito pela opinião contrária. Debater política é algo necessário, deve fazer parte do cotidiano de nossa sociedade, e saber respeitar a opinião contrária é sinal de maturidade. Os argumentos não devem ser usados como armas empunhadas, mas sim em prol de crescimento e reflexão sobre os temas de interesse comum. Estamos dentro de uma democracia. O Governo que vence a eleição deve governar para todos e independente de ter recebido seu voto. Assim, cabe aproveitar o momento de crise em que novas ideias são propostas e ideias antigas com nova roupagem são apresentadas para lapidá-las e criar um município melhor, um estado melhor e uma nação melhor.